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Mostrando postagens de 2026

O ADEUS DE TIZIU

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  A cova foi rasa, mas o amigo não reclamou. O solo duro não permitiu que eu cavasse mais. A palma da minha mão ficou dolorida e nela se formou uma bolha. Tive de parar. Mas, para a carne pouca do pequeno defunto, essa modesta sepultura pôde ser considerada um regalo – o último, claro. Terminado o serviço, fui à garagem e pequei no bagageiro do carro o corpinho. Com ele nos braços e tomado de tristeza, subi a escada bem devagar. O corpo do cãozinho ainda estava morno e mole. Tão mole que parecia prestes a escorrer das minhas mãos. Temi que caísse de meus braços quando tive de abrir o portãozinho que dá acesso ao quintal. Precisava liberar umas das mãos e, segurando-o firme com a mão direita, com a esquerda consegui abrir. A alguns passos dali, a Maneka tomava sol. Assim que me viu, ela se aproximou curiosa, cheirou o ‘morto’ e se afastou pesarosa; o Pitoko, ao me ver, deu uns dois passos para o meu lado, desistiu, correndo assustado.   Continuei minha caminhada com o c...

DESPEDIDA DA SAPO

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  Minha história com a plataforma Sapo começou em fevereiro de 2014. Desde então, foram ‘trezentos e setenta’ textos, alguns deles em periodicidade semanal; outros quinzenais. Desde o começo eu já me sentia bem aqui, e passei a me sentir melhor ainda depois que ganhei proximidade com alguns colegas blogueiros. Aquela espécie de “salinha de leitura”, que a plataforma Sapo oferece, não se encontra em outros sites – e ela faz toda a diferença porque ali se veem as postagens daqueles a quem se segue. Muitos dos meus colegas já dispersaram, enquanto eu continuei por aqui até hoje, mas é chegada a hora de eu também esvaziar minha gaveta, pegar minha mochila, apagar a luz e fechar a porta. Embora bastante desanimado, continuo postando em outro endereço. Caso alguém queira me dar o prazer de uma visita, bastar clicar no link que deixarei ao pé deste texto.   Agradeço aos gestores da Sapo, que muito gentilmente me abrigaram ao longo desses anos, e agora, na finitude, ainda ti...

O ADEUS DE PITUKA

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  Foi um momento muito difícil para nós, menos para a Pituka, porque ela não tinha ideia do que estava acontecendo. Passava das três da tarde quando entrei na clínica com essa cadelinha nos braços. Ali fui atendido pela secretária, que me conduziu a uma salinha onde havia apenas lavatório e uma mesa metálica. Depois aquela funcionária trouxe uma flanela, que foi posta na mesa, onde deitei a 'amiguinha'. A veterinária estava atendendo alguém noutra sala, mas minutos depois ela veio. Muito simpática, foi logo conversando com a sua ‘paciente, apalpando aqui e ali, enquanto me fazia perguntas e apresentava ponderações. A solução não poderia ser outra, porque a Pituka estava em sofrimento. Há uma semana ela parou de andar, não conseguindo sequer parar em pé, mas se alimentava. Ontem ela comeu menos do que o de costume e mal conseguia erguer a cabeça. Hoje ela não conseguiu se alimentar, tremia muito e parecia ter dor. Antes de sair de casa, quando fui pegar a Pituka para levar a...

MEMORIAL DE VIAGEM – PARTE 13

  24) Eu mal terminara de fazer o almoço e a tia já se aproximou com um prato. Ela estava com fome, até porque a hora já avançava para o meio-dia e o costume ali é de almoço mais cedo. Eu havia preparado um pimentão, prato de que gosto muito, acrescido de feijão, arroz e um frango meio ensopado. Fiquei temeroso de que a tia não gostasse do frango, talvez ela o achasse salgado ou até mesmo insosso. Mas dessa vez tivemos um ‘final feliz’ no almoço, com a tia provando e aprovando tudo.   35) Houve uma vez em que as coisas não fluíram assim tão bem. Era Quaresma, a tia comprou um bacalhau e me pediu pra fazer. Eu disse que teria de deixá-lo de molho de um dia para o outro para dessalgar, mas ela tinha pressa e queria comer o peixe naquela hora. “Não, não precisa deixar de molho. É só ferventar, que o sal sai todinho. Pode fazer assim, eu sempre fiz desse jeito...”, ela disse isso na certeza de que o sobrinho não falharia, mas falhei miseravelmente. Ferventei o peixe conforme...

MEMORIAL DE VIAGEM – PARTE 12

  22) Você, raro leitor, não se agaste por eu me arrastar na descrição desse meu desatino na tentativa de descer daquele telhado. Saiba que a minha aflição deve ter sido bem maior do que a sua. Nunca alguém se comprouve por passar longas horas a sol a pino sobre um telhado, refém do medo de despencar de telhas escorregadias e acossado pela sede que lhe seca todas as mucosas. Pois bem, essa era a situação em que eu me encontrava. Num esforço, a custo, alcancei o primeiro degrau. Senti meu pé direito se firmar e, com um movimento trêmulo, consegui alcançar o outro degrau, que estava um pouco longe. Explico: a escada, além de ser “perneta” conforme já disse linhas acima, tem os degraus muito distanciados uns dos outros, o que dificulta seu uso, particularmente para quem sente pavor de altura e estando em iminente perigo como eu. Ainda com os pés mal postos sobre os degraus e na tentativa de estabilizar a escada, que teimava em deslizar, deitei-me-sobre as telhas e fui firmando dev...

SERIAM OITENTA E SETE, MAS...

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  Essa fotografia foi tirada há exatos três anos, um dia após mamãe festejar ‘oitenta e quatro anos’ – aquele que seria seu último aniversário. Nunca, antes dessa imagem, ninguém jamais viu essa senhora usando chapéu. “Cruz credo, isso é coisa de homem... Não uso de jeito nenhum!” , eis uma possível reação a alguém que a tenha oferecido tal adereço. Comigo, no entanto, a coisa aconteceu um pouco diferente. Naquele momento, eu estava ao lado dela, falando coisas desimportantes. Quem me conhece um pouquinho sabe das minhas ‘dificuldades cognitivas’, e também da minha falta de assunto.  Quem me conhece melhor, já sabe um pouco mais de mim. Sabe que, além da minha inabilidade para discorrer sobre assuntos sérios, sou um homem que prefere assuntar sobre “a vida alheia”, um tema que costumo explorar com discreta culpa e indisfarçável volúpia.  Mas com a mamãe não havia nenhuma fofoca, não. Embora a mãe não se afeiçoasse por muita gente, e esse é um traço herdado por este seu fi...

MEMORIAL DE VIAGEM -- PARTE 11

  20) A manhã avançava a passos esticados, o sol já dava sinais de que o dia não seria apenas morno, mas ainda havia restos do frescor da aurora. A tia acabara de acordar e se movimentava lentamente, tentando se levantar – eu pude perceber sem que a visse. Larguei meu livro e o mate e fui até o quarto pra ver se ela queria ajuda para calçar as chinelas ou algo mais. Não precisava. Ela já estava de pé e arrumava a cama, estendendo lençóis e dobrando o cobertor. Ofereci ajuda, mas ela agradeceu. “Sempre arrumo de um jeito que me facilite depois”, pontuou. Voltei à cozinha pra fazer um chá, que ela toma sempre sem açúcar. Terminei de preparar o chá e, enquanto ela se ajeitava, cruzei a rua pra pegar um bolo na mercearia. Ao me ver com o bolo, muito surpresa, foi logo perguntando quanto custou e pedindo pra deixar pra ela pagar. Dizia não ter dinheiro agora, mas que acertaria quando recebesse seu ‘ordenado’. “Não, tia. Eu já paguei, não se preocupe com isso”. Sentamos, ela pegou um...

MEMORIAL DE VIAGEM – DÉCIMA PARTE

  18) Entrei no quarto e fechei a porta para não ser incomodado por gatos. Há muitos deles no quintal, mas apenas a Pretinha dorme dentro de casa, embora naquela noite ela não estivesse por ali. O sumiço da ‘bichinha’ foi motivo de chateação da tia. Todas as vezes que me via, aquela gatinha fugia desesperadamente – para minha alegria e tristeza da dona. Agora, já acomodada em seu leito, eu esperava que a sonolenta senhora adormecesse rapidamente, mas isso não aconteceu. Assim que se deitou, ela ficou acesa e disparou a falar. Eu tentava me desligar de tudo, queria dormir, enquanto a tia queria conversar! O aposento dela nem é bem um quarto de dormir, mas uma sala que ela transformou em dormitório. Separada de mim por uma porta, que me parecia mal fechada, qualquer movimentação poderia ser percebida. Isso era bom, porque eu poderia atendê-la em alguma necessidade, bastando apenas me chamar. E então aquela senhorinha resolveu prosear, e as horas foram subindo, subindo e nada de a p...

NAQUELA MANHÃ...

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  Era manhã de abril, com céu limpo, e não fazia frio. Estávamos na varanda, papai no computador e eu tomando chimarrão. O sol despontava timidamente, roçando a folhagem da pequena mata de eucalipto, com a promessa de um dia quente. Papai fechou o notebook, coçou a cabeça e passou suavemente as mãos nos cabelos embranquecidos a fim de ajeitá-los. E, me olhando pensativo, disse: “Acho que vou dar um pulo a Guiricema.” “Opa. Vamos, sim”, eu me prontifiquei a acompanhá-lo, embora não tivesse sido convidado. Organizamos as coisas, pegamos a estradinha de terra que liga o sítio à estrada asfaltada e fomos caminhando sem pressa. Ofegante, de vez em quando papai parava e, apoiado na bengala, apontava para uns lados pra falar de um passado muito distante. Ele contava um pouco da história do sítio que pertencera ao seu pai, meu avô Sebastião. Depois tornou-se propriedade de uma tia e agora pertence a uma família de hortelãos. Papai me dizia sobre como se deu a compra daquelas terras, que ...

CORA CINQUENTENÁRIA

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  Essa é a Maria Coraciana, minha irmã e afilhada que está completando ‘cinquenta anos de vida’. Acho que ninguém da família sabe que sou padrinho dessa menina, talvez até ela já tenha esquecido. Também, pudera. Uma afilhada que nunca ganhou presente, nem sequer no aniversário... Dizer o que de padrinhos assim?...   ’Nunca’ pode ser exagero de minha parte, porque certa vez dei a ela uma caneca de louça, embora isso não seja “aquele presente”, já é alguma coisa, né?... Ou não. Da canequinha eu me lembro bem, embora ela diga que já ganhou um estojo de maquiagem, mas não tenho lembrança. O nome da minha irmã deve ser único no mundo. Nunca se ouviu dizer que alguém traga “Coraciana” em seus documentos – nome que acho muito bonito. No entanto, talvez não fosse assim, caso minha irmã mais velha (sempre ela!) não interviesse, participando ativamente da escolha. Isso por que, dos treze filhos do casal, doze papai nomeou “monocraticamente” – exceto a nossa aniversariante – e essa é u...

MEMORIAL DE VIAGEM – NONA PARTE

  17) A noite chegou e com ela os pernilongos. Com as janelas abertas devido ao calor, um enxame dessas minúsculas criaturas invadiu o recinto numa medonha profusão de zumbidos. Uma loucura. A tia pediu pra eu fechar a casa porque “poderia ter musquitim ”. Meu Deus! Na cozinha, no banheiro, no meu quarto... em todo canto havia desses “camicases”! E a tia tão suave, numa paz que me assustava. Eu atormentado e ela pacificada. “É... nesta hora costuma entrar algum pernilongo, por isso é bom fechar as janelas”, reforçou. Olhei ao redor à procura de alguma arma com a qual eu pudesse me defender. Espiei em cima de armários, cômodas, guarda-roupas e nada de encontrar uma raquete elétrica – aquela que tem uma telinha com corrente de alta voltagem, própria para fazer torradinha de muriçocas. Não tinha raquete elétrica nem latinha de veneno em aerossol para debelá-los. O negócio foi quedar-se ao inimigo, que vinha sedento e faminto. Indo ao banheiro, consegui eliminar um monte deles. Arr...

MEMORIAL DE VIAGEM – OITAVA PARTE

16) Terminada a “grande luta” com as titicas gatinas , fui para o fogão a fim de preparar uma janta. Peguei os pimentões e tomates que eu havia comprado, pus numa vasilha e comecei a lavá-los com detergente. A tia, muito espantada com aquilo, me disse: “Uai, cê tá lavando com sabão?! Não precisa. Eu lavo só com água...” “Não tia, precisa ser lavado com sabão, sim. A senhora não sabe como homem é bicho porco: faz xixi, não lava as mãos e depois colhe tomate e pimentão pra vender, e a gente compra sem saber. Isso aqui é sujo e precisa ser lavado direitinho.” A tia não se conteve, fez uma carinha de nojo e quase confessou um segredo dela, já fossilizado na memória: “Engraçado... Você está caprichoso!...” Pensei: Só faltou a ela dizer que o sobrinho sempre foi porcão , e agora, já bem velho, meteu-se a asseios desnecessários. Se ela pensou, não disse; se dissesse, eu não me importaria porque isso é bem verdadeiro. Enquanto eu lavava os tomates e pimentões, esfregando e enxaguando cada ...

O "LOUVA-DEUS"

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A imagem do simpático louva-deus, ou ‘louva-a-deus’ para os eruditos, não tem nada a ver com a história aqui narrada, mas tem muito a ver com o protagonista.   Gosto do silêncio. Ouço músicas durante o dia enquanto cuido dos afazeres, mas à noite prefiro ouvir o cricrilar dos grilos, o lamento das corujinhas-do-mato e os coaxares de sapos que habitam um pequeno “lago” aqui ao lado, enquanto leio ou escrevo. Ontem, a minha bucólica rotina noturna foi perturbada por gritos lancinantes. O pedido de socorro vinha de uma casa vizinha, do outro lado da rua. Fiquei aturdido, sem saber o que fazer. Tive o ímpeto de descer, mas uma voz interior me desaconselhou; pensei em chamar a polícia, mas fui demovido por outra voz. Antes de decidir fazer uma coisa ou outra, fui à varanda e olhei para aquela casa desditosa e percebi, pelas vozes, que lá havia um casal.  E essa não foi a primeira vez que ouvi alaridos naquela casa. Há uns tempos, duas crianças me procuraram, pedindo um ce...

MEMORIAL DE VIAGEM – SÉTIMA PARTE

15) Um pouco cansado, deixei a pia e saí para tomar um ar. Nisso a tia voltou a me interpelar sobre a acompanhante, que já deveria ter chegado e ainda não apareceu. Eu disse pela quarta ou quinta vez que a moça não viria, e quem ficaria de acompanhante naquela noite seria eu. Mas a tia não se deixou vencer. “Meu Deus, eu estou pagando para ela vir todos os dias, e agora não vem?... Então vou descontar os dias que ela faltar...” Nesse momento eu fiquei bravo, mas tentei mitigar minha brabeza, apenas dizendo que a moça precisa descansar. E que todas as vezes que eu estivesse ali, ela não precisaria vir. A tia decidiu ser mais direta e atacou: “Pois ela teria de vir, sim, ao menos pra catar os cocôs dos gatos aqui no quintal!” “Ah, tia... então essa é a sua preocupação?! Pois está resolvido. Vou catar agora!” Ao ouvir isso, aquela senhora entrou em parafuso, não sabendo se comemorava ou embrabecia. “Ah, não acredito que você vai fazer isso!...” “Vou, sim. E me fale como devo fazer”. Ela m...

MEMORIAL DE VIAGEM -- SEXTA PARTE

14) A pia da cozinha estava entupida, mas não era uma calamidade porque, embora muito vagarosamente, a água ainda escoava. Mas aquilo foi me incomodando a ponto de me deixar irritado. Sempre que eu fosse lavar uma coisinha, formava-se um lago cuja placidez me bambeava os nervos. Então, fui ao mercado e comprei um ‘desentupidor de pia’, que é algo semelhante a uma ‘saia de borracha’ de onde ergue um cabo de plástico. Eu peguei aquele treco e dei várias bombadas no ralo, mas em vão foi meu esforço. Quanto mais eu mexia mais a coisa emperrava e o bojo, de tão cheio, já começou a transbordar a ponto de eu ter de tirar um pouco da água com uma caneca para evitar um dilúvio na cozinha. A tia acompanhava tudo bem de perto e com uma atenção que me paralisava.   De repente, ela se lembrou de uma solução: “Deixe eu pôr cloro aí, porque dizem que desentope mesmo.” Aceitei a sugestão de pronto. Vai que a tia tem razão..., pensei. Então ela derramou certa quantidade de cloro e me pediu pra esperar ...

RETRATO

(Cecília Meireles) Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: - Em que espelho ficou perdida a minha face? filipe

MEMORIAL DE VIAGEM -- QUINTA PARTE

12) Assim que terminamos de almoçar, a tia se levantou e foi à pia pra lavar a louça. Enquanto ela lidava com pratos e talheres, peguei a comida sobrante e fui transferindo para uns potinhos de plástico que comprei no mercado logo em frente. Nesse momento, ela parou de lavar e me olhou cabreira. Perguntou se eu tinha comprado em São Paulo, e emendou dizendo que gosta de deixar a comida dentro das panelas, porque fica mais fácil pra requentar. Então a convenci de que os potinhos são mais práticos pois ocupam menos espaço na geladeira. Ela acedeu.   Embora de bucho cheio, decidi tomar banho, trocar de roupa e dar uma cochilada. Enquanto eu me organizava, ela correu ao quarto e preparou minha cama, aquela que a vovó usou até ser internada. Como da outra vez que dormi ali, a tia quis me tranquilizar, dizendo que a vovó não morreu naquela cama. “Ela morreu no hospital!”, enfatizou. E, como de outras vezes, falou das idas e vindas pra acompanhar a mãe nos seus estertores. “Ninguém foi ao ho...

INFERNO SOB TRUMP

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Todos os dias eu me levanto bem cedo, abro o celular, dou uma espiada nas mensagens e costumo dar uma olhadinha rápida no noticiário também. Ultimamente tenho evitado as notícias e me atenho mais a podcasts de literatura e pequenas estórias agridoces. Também ouço muita música, mas música popular brasileira!   O dia de hoje não seria diferente. Após a checagem de praxe, deixo o celular, faço a toalete e saio para cumprimentar meus cãezinhos, um por um. Em seguida, começo as minhas preces. Enquanto rezo, vou caminhando pelo quintal num exercício físico e espiritual que costuma passar dos três quartos de horas. Esse é um momento muito especial em que fico tomado de enlevo, numa quase epifania. A noite foi serena, o sono tranquilo porque embalado por grossos pingos de chuva que começaram ao entardecer e se estenderam noite adentro até a madrugada. Ao amanhecer, o tempo estava firme e pude caminhar a pés enxutos. O noticiário que estava no celular quando me levantei era anódino, nada de...