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Mostrando postagens de julho, 2024

DONA FIA

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Numa manhã fria deste inverno, era sábado, desci do táxi, apertei a campainha e resolvi chamar também, que era pra garantir que eu estava ali. Tenho uma regra não escrita: não se deve apertar a campainha mais de uma vez. Se for algo urgente, aperte a segunda vez; caso não seja atendido, dê sossego, não seja inconveniente, caia fora!   Dessa vez, nem precisei chamar novamente, porque a bondosa senhora já veio descendo lentamente a escada. Como boa mineira que é, chegou cabreira e, ao me reconhecer, um sorriso desanuviou-lhe o semblante. Eu fiquei orgulhoso de ser reconhecido pela dona Fia, abobado mesmo, e explico o porquê, mas ao final da crônica. A dona Fia abriu o portão e me convidou pra entrar.  Aceitei, é claro, mas com a ressalva de que seria por apenas uns minutinhos. Fomos subindo devagarinho enquanto ela falava do frio e da nova rotina, agora sem o companheiro de vida por mais de setenta anos. Primo de meu avô materno, seu esposo era um homem de hábitos finos, poucas palavras ...

O IPÊ-ROSA

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“Plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro!” Essa seria, na visão de um poeta, a missão de todos ao longo da vida. De minha parte, já plantei algumas árvores, tive uma filha, mas nunca escrevi livro. Por outro lado, meu pai teve muitos filhos, plantou muitas árvores e escreveu três livros. Dessa forma, estou em dívida com a vida; já meu pai cumpriu com folga a missão. Deixando de lado o poeta e seus anseios, quero falar do ipê cuja foto abre esta crônica. Essa árvore foi plantada no sítio da família onde mora minha irmã mais velha quando completei ‘trinta anos’. Meu pai escolheu o lugar e fez a cova; eu apenas ajustei a plantinha no buraco e apertei a terra ao redor com cuidado para não lhe ferir as incipientes raízes. Tempos antes, quando fiz dezoito anos, meu pai me pediu para plantar uma árvore. Ele me deu a muda de um abacateiro e me acompanhou ao quintal de sua casa, lá na Montanha Santa, onde o plantamos. Infelizmente, aquele pé de abacate não vingou. A história do ag...