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Mostrando postagens de outubro, 2016

DURANTE UM CD

Passa das três da tarde e não fiz a postagem da quinzena. Pus um CD com uma espécie de réquiem, para eu digitar durante sua execução. O que sair aqui, saiu e nem vou pedir desculpas a ninguém, até porque ‘desculpas’ seria o tema deste texto. Estou de saco cheio dessa palavra, que serve para tudo, mas não resolve nada. Depois de qualquer grosseria, vem aquele deslavado pedido de desculpas. ‘Desculpas’, a rigor, seria: não tenho culpa, então peço desculpas... Mas desta vez, não tem nada disso. Não vou pedir desculpas e o raro leitor ficará desincumbido de me fazer tal favor.   Estava querendo falar sobre escola, mas o arredio leitor tá de saco cheio de escola. Em todas as mídias já tem alguém falando disso – sempre baboseiras, mas a minha escrita também seria mais uma bobagem. Ia dizer que há uma gente sórdida, que tem “alergia a giz”, domina mal a Língua Pátria, mas gosta de dar pitaco no trabalho da peãozada que respira poeira do tal giz. Essa gente maldita, que não sabe de nada e que,...

MALANDRAGEM

Na minha infância, dos poucos livros que havia em casa, um era de contos. Lembro-me de uma história, não tão fabulosa como os clássicos infantis, mas dotada de magia. O título me fugiu, deixando apenas a imagem de um “nadador’ e de um “lenhador”. Ei-la.   Certa feita, um lenhador cortava lenhas à beira de um rio quando num golpe meio desajeitado, o machado escapuliu e caiu na água.  O rio era profundo e o pobre homem não sabendo nadar, sentou-se à margem e começou a murmurar: “Como vou fazer para ganhar o pão das crianças?... Meus filhos são pequenos, minha mulher anda sempre adoentada e esse machado era minha única ferramenta de trabalho. Para comprar outro, terei que andar léguas até o arraial e convencer o dono do armazém a me vender fiado.  E ainda terei que trabalhar por muito tempo só para pagar o machado. Ai, meu Deus, o que farei da minha vida?...” Nisto, apareceu um jovem dentro do rio, nadando pra lá e pra cá, sem perceber a presença do lenhador, que estava atrás de uma moita...

O VOTO DOS ESTULTOS

Publicado no 'blogdofilipemoura' em 05/10/2012   Estava planejando dar sequência ao tema anterior, mas alguma coisa está acontecendo por cá, o que me fez mudar de assunto. Convido o bravo companheiro a se retirar, pois a prosa do momento poderá aborrecê-lo bastante. Portanto, tchau!   Já que me encontro só, sinto-me à vontade para dar uma esvaziada em minha peçonha e aproveito para atacar as incultas massas pela sua voluntária (e talvez providencial) burrice. Ser pobre quase nunca é opção, mas a estultícia chega a ser uma vocação. “Por que o escriba se incomoda tanto com seus pares?”, teria perguntado o recém-despedido leitor. Explico.   Pobre é pobre, rico é rico. Desde que o homem desceu da árvore e a sociedade foi se organizando, essa diferença se faz cada vez mais intensa. Aliás, é falacioso o termo “sociedade”, assim no singular. Nós não vivemos em “uma sociedade”, pelo simples fato de ela não ser única. Poderíamos dizer que vivemos em “sociedades”. Há,  grosso   modo , du...