CESARINHO
Em setembro último, estando na casa de um velho conhecido, encontrei-me com o Cesarinho. Assim que nos vimos, ele me reconheceu e perguntou se eu me lembrava dele. “Não, eu não me lembro de você!”, respondi envergonhado. Perplexo, ele bradou: “Sou o Cesarinho, rapaz! Já se esqueceu de mim?!” Fiquei embasbacado. Afinal, muitas décadas se passaram sem que eu visse esse meu colega de escola, com quem estudei o ‘quarto ano primário’. Acontece que os anos costumam fazer estragos no corpo e na memória da gente, o que nos deixa meio embaraçados quando reencontramos amigos de infância – e esse é o meu caso. A conversa que eu teria com o outro senhor, a quem visitava, migrou para o Cesarinho. Bom de prosa, ele contou muitos casos naquela curta meia hora de bate-papo. Eu também rememorei com ele alguma coisa bastante pitoresca, de que ele se lembrou com impressionante nitidez. “Cesarinho, você se lembra daquela vez que eu achei na estrada uma chave de mecânico e que troquei com v...