12) Assim que terminamos de almoçar, a tia se levantou e foi à pia pra lavar a louça. Enquanto ela lidava com pratos e talheres, peguei a comida sobrante e fui transferindo para uns potinhos de plástico que comprei no mercado logo em frente. Nesse momento, ela parou de lavar e me olhou cabreira. Perguntou se eu tinha comprado em São Paulo, e emendou dizendo que gosta de deixar a comida dentro das panelas, porque fica mais fácil pra requentar. Então a convenci de que os potinhos são mais práticos pois ocupam menos espaço na geladeira. Ela acedeu. Embora de bucho cheio, decidi tomar banho, trocar de roupa e dar uma cochilada. Enquanto eu me organizava, ela correu ao quarto e preparou minha cama, aquela que a vovó usou até ser internada. Como da outra vez que dormi ali, a tia quis me tranquilizar, dizendo que a vovó não morreu naquela cama. “Ela morreu no hospital!”, enfatizou. E, como de outras vezes, falou das idas e vindas pra acompanhar a mãe nos seus estertores. “Ninguém foi ao ho...