SERIAM NOVENTA E TRÊS ANOS
“Maria, Maria... Vem cá!” Enquanto eu preparava o chimarrão e pensava em como começar este texto, mamãe me interrompeu. Cedo ainda, quatro e meia da manhã, voltei ao quarto. Ela insistiu: “Maria... Cadê?...” Eu disse que a Maria vinha mais tarde e que só eu estava ali. Então ela pediu ‘água e comprimido’. “Dois comprimidos!”, ordenou. Ontem à noitinha passei um bom tempo ao lado dela, ouvindo suas histórias. Poucos de seus filhos conseguem decifrar aquelas frases. Eu tenho me esforçado bastante e acho que quase consigo. Naquele bate-papo, mamãe me falava “dele”. Dizia que ele estava sumido. Que “agorinha mesmo estava aqui, mas saiu e não sei pra onde foi”. Perguntei quem é. “Marido!”, respondeu de imediato. Eu completei, dizendo que ele deve ter ido a Corgo Preto, porque tem muito serviço pra fazer lá. Ela assentiu desconfiada. Desde que papai partiu, mamãe veio para o centro do “palco”. Até parece ter sido essa a intenção dele. Aqui, na nossa família, penso que as atenções se vo...