PIOLHO
Seu nome é Paulo, todos o conhecem por Paulinho, e na infância tentaram apelidá-lo de “Piolho”, mas não pegou. Naquela família de muitos irmãos, com exceção de minha mãe, a primogênita, todos arrastaram apelido por algum tempo; alguns para sempre. Irmão caçula de minha mãe, este tio é muito querido por todos na minha casa. Papai, que não costuma elogiar familiares, sobre ele não economiza palavras. “Ah, o Paulinho é sério, de fibra. Nele pode-se confiar, porque é verdadeiro!” São tantas as minhas histórias vividas na companhia do tio Paulinho, que eu teria que escrever muitas páginas para dar conta de parte delas. Para o momento, no entanto, quero apontar alguma coisa, pouca, mas que será suficiente para lhe traçar o perfil. Quando ainda pequeno (bom, ele não cresceu muito!), uma de suas irmãs exclamou: “Gente, não é que o Paulinho sabe fazer conta de juros?!” Naquela época eu não sabia fazer contas e muito menos o que seria ‘juro’. Mas, a partir daquele dia, eu passei a ver meu ...