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Mostrando postagens de janeiro, 2021

MINUDÊNCIAS COTIDIANAS

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Esse aí é o Patão, mas só falarei dele mais para a frente. Porque se ele não tem pressa, eu também não tenho.   Nesses tempos insanos, minha saúde mental exige que eu procure algo que possa minorar minhas agruras, pois meu dia a dia tem sido bastante confuso. Embora eu tenha afazeres domésticos, tento pôr ordem no quintal, recortar jornais, pôr a leitura em dia, mas não consigo muita coisa, não. Começo cortando a grama; deixo a grama e começo recolher as folhas; deixo as folhas e começo a colher mangas; deixo as mangas e começo a acender o fogo; deixo o fogão a lenha em meio a uma fumaceira danada e começo a descascar as mangas; deixo as mangas e volto ao fogão, porque o fogo está muito violento; dou uma “bronca” no fogo, que se abranda, e volto a descascar as mangas; encho a panela com polpa, ponho no fogo e vou limpar a pia; deixo a pia e levo os rejeitos de manga para as galinhas do vizinho. E o doce fica pronto e fica bom.   Abandono a TV Cultura e cumpro a melhor parte da minha ro...

O VÍRUS E O VERME

O mundo tem o vírus; o Brasil tem o vírus e o Verme. Poucos sabem, mas “coronavírus” virou apelido do vírus da ‘covid’ pelo fato de ele possuir uma coroa.   Diferentemente do que faz a imprensa, grafei ‘covid’ com inicial minúscula porque é assim que deve ser escrito. Explico. Não se escreve ‘gripe’, ‘tuberculose’, ‘câncer’ e o nome de outras moléstias com inicial maiúscula porque são substantivo comum. Então por que escrever ‘covid’ de outra forma?... Mesmo ela não sendo uma ‘gripezinha’ como disse o Verme... opa! Aqui tem um detalhe: esse “verme”, que não é um vermezinho qualquer e nesta nova acepção, já deve ser grafado com inicial maiúscula. Pelo menos é o que recomenda a boa gramática. Então, por respeito ao ‘cara’ e por elegância de estilo, escreverei sempre o antropônimo ‘Verme’ com inicial maiúscula. Em síntese, nomes de pessoas, que são nomes próprios, devem ser escritos sempre com inicial maiúscula – ainda que não mereçam.   O vírus tem feito a ceifa no Brasil. Já são mais de...

TIA CÉLIA

Tia Célia nos deixou numa triste manhã deste verão. Gostava de conversar com ela, e admirava sua cultura refinada, seu bom gosto, sua elegância. Era uma mulher bonita, esguia, tinha a “magreza de uma santa” como diria a Fernanda Montenegro. Nos anos cinquenta, foi normalista numa pujante Amparo que exalava cultura com teatro e cinemas, que não mais existem. Conversar com a tia Célia, principalmente caminhando pela cidade, era adentrar um passado fortunoso de uma Amparo colonial com suas ruas de paralelepípedos e postes de iluminação londrinos. Isso a deixava um tanto nostálgica, contudo não necessariamente triste. Até porque ela saíra daqui muito jovem, logo após se formar, para lecionar em outra cidade onde tocou a vida.   De vez em quando, tia Célia vinha a Amparo visitar uma de suas irmãs, que é a minha sogrinha, de quem ela gostava muito e com quem ainda podia dividir reminiscências. Pude participar de alguns desses momentos, que me foram de muita alegria. Eu gostava de lhe prepara...