MAMÃE, AOS OITENTA
É, mamãe já está ficando velhinha. Não pelos oitenta anos que completa neste 23 do mais mariano dos meses. Oitenta anos nem são tantos assim, mas há tempos mamãe deixou de ser a lépida jovem que conheci no alvor de meus dias – hoje vivendo reclusa em seu cantinho. Antes do amanhecer, contudo, ela já se levanta e começa a fazer suas muitas preces. Depois, apoiando-se na parede, caminha até o banheiro. Feita a toalete matinal, empreende uma “longa caminhada” até a varandinha da sala. Ali, sentadinha num sofá, espera pacientemente o abraço morno de um sol ainda sonolento, cujos longos braços perpassam os eucaliptos na encosta do “morro do Tatão Tibúrcio”. Aquecida, ela fixa o horizonte, apertando os olhos num aparente esforço para se manter desperta, mas sucumbe a um breve cochilo quando a caneca de café com leite e bolacha chega pelas mãos do Zezé, seu fiel esposo e escudeiro incansável. Quando nasci, mamãe era uma jovem de vinte e dois anos – uma adolescente! Sendo um dos mais velhos ...