O TRIUNFO DO TERROR
Mal se equilibrando sobre as patas, um velho cãozinho vagueava pela rodoviária. Mais à frente estava o dono do animal, um senhorzinho também de muitos dias. “Ele tem dezessete anos e eu oitenta e cinco. Nós sofremos, viu... é duro ficar velho.” Aproximei-me daquele homem e quis conversar um pouco, quis ouvi-lo. Ele pegou uma sacola que estava no banco ao lado e pediu que eu sentasse. “Qual é o seu nome?”, perguntei. “Armando. Armando Pires. Esse cachorro é meu. Eu morava em São Paulo e adotei uma cadelinha chamada Biloca, que teve cinco filhotes. Ela foi envenenada e, quando vi, já não dava mais pra salvá-la, porque já estava morrendo. Vi ela morta e os cachorrinhos mamando nela... Deu uma tristeza danada. Aí eu cuidei dos bichinhos, que viveram muito tempo comigo. Este aqui é o último e já vai fazer dezessete anos dia (...).” O homem queria conversar mais, mas meu tempo era curto. Tinha que voltar pra casa, terminar um texto para o blog – que decidi trocar por este. “Olha, muito pra...