SONEL
Publicado no jornal “A Tribuna de Amparo” – edição de 20/03/2020 Sonel para uns e Nelson para muitos, o bom mineiro de Jacutinga, a quem chamo carinhosamente de Alemão, é funcionário do Lar dos Velhos de Amparo há anos. Seu trabalho é silencioso e incessante, como o das formigas. Sempre que o vejo naquela casa, lá está ele frenético, com balde, vassoura e rodo, cuidando da limpeza. Ora o vejo ensaboando e esfregando o chão, ora está enxaguando ou enxugando pátios, alas internas, banheiros e corredores. O Sonel está sempre no labor, mas quando me vê, larga tudo e, braços abertos, vem dizendo: “Ô, meu amigo, eu quero te dar um abraço!” E então recebo aquele abraço ‘caudaloso’, como diria o poeta Manoel de Barros. De volta ao serviço, exagera: “Agora, sim, está tudo bem, porque abracei meu amigo.” Do Sonel, pouco sei. Não posso tomar seu tempo com conversas, porque a minha prosa nada acrescentará ao seu rico repertório de vivências. Mas da última vez, arrisquei e lhe fiz umas duas ...