ELA ESTARIA FAZENDO 85 ANOS
“Deus abençoe sua boa vontade! Deus lhe pague! Graças a Deus!” , esses foram os dizeres mais frequentes de minha mãe, que neste ‘vinte e três de maio’ completaria oitenta e cinco anos. Para alguns, tais frases talvez sejam desprovidas de sentido, podendo até lhes causar certo estranhamento, mas não para quem conviveu com ela. Mamãe, ao longo da vida, passou por diversas fases. Sua personalidade, marcante, foi forjando a vida dos filhos e de quem mais esteve por perto. Posso falar disso, porque conheci mamãe desde os tempos em que ela era uma “meninota” de vinte e poucos anos. De início, lá na juventude, mamãe foi uma mulher vaidosa, que se maquiava com pó de arroz e ruge. Também usava uma bolsinha de mão e sombrinha colorida de cabo bem-trabalhado, coisas do tempo de solteira. No entanto, batom, esmalte e brincos mamãe nunca usou e se irritava com alguém que lhe oferecesse. Isso ela aprendera com o pai, meu avô Aurélio, que, para ele, esses luxos seriam vícios de quem não é muito l...