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Mostrando postagens de janeiro, 2016

A TRAVESSIA

“Eu e Juracy já estamos na reta final. Digo isso por causa dessas nossas enfermidades. O que acontece com o compadre Tonico está para acontecer comigo também. Por isso, quero entregar a minha vida e a vida da Juracy nas mãos de Deus.”   Essa prece pungente, mas bela, papai fez durante as Laudes do Freizinho, da qual participamos. “Entregar a vida nas mãos de Deus” chega a ser imperioso mandamento. Refleti bastante sobre aquelas palavras e tento rascunhar algo nesta madrugada, enquanto tomo meu mate, sob a trêmula chama de uma lamparina. Ao lado, o “O Irmão Alemão”, de Chico Buarque, me aguarda sonolento. Sobre o livro, descansa uma pena de seriema, que encontrei lá pelos lados do Rancho das Martins. A pena de cor cinza em diagonal sobre a capa vermelha do livro compõe uma linda figura. Por um momento, penso ter Chico usado pena e tinteiro para escrevê-lo. Mas chega de divagações! Ao trabalho, portanto.   Durante esta curta estada por aqui, quantos momentos sublimemente vividos! O comov...

DESASSOSSEGO

“ Gosto de ler seus textos, mas aqueles que falam de seu povo, de sua terra e não esses sobre política. Continue contando a história de suas gentes. ” Ouvi, quase envergonhado, o desabafo de minha amiga e leitora, mas sinto muito por decepcioná-la ainda outra vez.   Não me apetece falar de política nem de economia, assuntos que não domino e sobre os quais não deveria meter a colher. Embora ignorante nestes e noutros assuntos, ouso pisar esse pântano de odor desagradável que me traga e me trai, e me desassossega. Também não costumo falar de política com amigos, melhor poupá-los de meus clichês. Neste espaço, porém, costumo dar vazão às minhas inquietações. E com a licença da amiga, vou prosseguir.   O meu desassossego fica por conta do recém-sepultado 2015, ano em que economia e política me deixaram aturdido. A agenda nacional foi de ódio. Nos bares e botecos, nos becos e sobrados, nas escolas e templos, nas cozinhas e nas alcovas não se falou doutra coisa que não fosse o ‘fla-flu do ma...