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Mostrando postagens de fevereiro, 2016

A PRIMEIRA MESTRA

Eu não diria que eu seja uma pessoa triste, mas muitas são as minhas frustrações nestes já esticados dias e uma delas é não lembrar de minha primeira professora. Antes da idade e por insistir com meu pai, fui matriculado aos seis anos num grupo escolar que ostentava o pomposo nome de “Escolas Reunidas ‘Galdino Leocádio’”. Lembro-me bem do primeiro dia naquela instituição, quando fui ciceroneado por um primo distante, xará do conde D’Eu e filho do dono do prédio escolar. O menino me levou até a sala de aula, que ficava no porão e era apelidada de “galinheiro”, embora não houvesse galinhas por lá. À medida em que íamos avançando nos estudos, subíamos de grau e de degrau, porque o segundo ano funcionava no hall de acesso ao piso superior, embaixo da cozinha, e o terceiro e quarto anos ficavam lá em cima. Eu olhava para os garotos daquele andar “naquelas alturas”, admirava-os pela sabença e pensava: “Para subir essa escada, tenho que aprender tabuada, verbos, decorar pontos...”   Naquela ...

O PROFESSOR E A MORTADELA

Publicado originalmente em 29/07/2011 - "blogdofilipemoura.com"   Tal como a mortadela, todo professor de ensino básico – aquele que trabalha com crianças e adolescentes – deveria exibir um rótulo apontando o seu prazo de validade. Isso mesmo. Digamos que, no caso do professor, seu ocaso fosse fixado ao completar 50 anos (de idade!). Portanto, aos 50, esse profissional deveria ser recolhido por estar vencido e impróprio para o “consumo” dos alunos. Deixaria de vez sua cadeira, que já foi cátedra, e se sentaria num banco. No banco da praça, por exemplo.   Aos 50, já não se tem aquela disposição de repetir inúmeras vezes ao jovem colegial que “ quatro vezes zero não é quatro" ; que carteira escolar não é bola de futebol para ser chutada; que sala de aula não é quadra de esportes; que a mãe do professor não é meretriz etc. Também não se deve “mandar” o anoso professor..., pois ele não vai. E não adianta insistir, porque ele não vai mesmo! [Se é que me fiz entender]   Aos 50...

FECALIDADES

O assunto hoje não é dos mais convidativos, pois falo de algo asqueroso, repulsivo. Apenas as almas puras como bebês ou pessoas senis lhe são indiferentes ou até demonstram alguma afinidade com ele: o cocô. Provavelmente o leitor não seguirá comigo, pois algo mais proveitoso deve aguardá-lo em outras páginas. Para lá, amigo, ou me acompanhe e se surpreenderá.   Este ensaio poderia ser ainda mais enfadonho, e você, que é inteligente, há de concordar comigo: política é bem pior do que cocô, não? Então, em vez de um texto sobre política, vou discorrer sobre cocôs. Uma sugestão: caso resolva prosseguir, faça-o furtivamente, sem que outros percebam. Abra duas páginas de forma que, com apenas um clique, esta tela se oculte e outra fique à mostra. É um disfarce para o caso de um curioso aparecer de supetão e o flagrar em “grave delito”. Se me acompanhar, talvez não se arrependa.   Os pobres da minha infância – que naquele tempo éramos abundantes – utilizavam fezes bovinas (bosta de vaca, para...