A PRIMEIRA MESTRA
Eu não diria que eu seja uma pessoa triste, mas muitas são as minhas frustrações nestes já esticados dias e uma delas é não lembrar de minha primeira professora. Antes da idade e por insistir com meu pai, fui matriculado aos seis anos num grupo escolar que ostentava o pomposo nome de “Escolas Reunidas ‘Galdino Leocádio’”. Lembro-me bem do primeiro dia naquela instituição, quando fui ciceroneado por um primo distante, xará do conde D’Eu e filho do dono do prédio escolar. O menino me levou até a sala de aula, que ficava no porão e era apelidada de “galinheiro”, embora não houvesse galinhas por lá. À medida em que íamos avançando nos estudos, subíamos de grau e de degrau, porque o segundo ano funcionava no hall de acesso ao piso superior, embaixo da cozinha, e o terceiro e quarto anos ficavam lá em cima. Eu olhava para os garotos daquele andar “naquelas alturas”, admirava-os pela sabença e pensava: “Para subir essa escada, tenho que aprender tabuada, verbos, decorar pontos...” Naquela ...