RITA LEE
Começo escrever este texto numa manhã fria e nublada deste mês de maio. Lá fora, um bem-te-vi, que mora na mangueira ao lado de casa, ainda há pouco estava chamando insistentemente a sua “esposa”. O bem-te-vi mandou-se para os ares e me deixou aqui no rancho com a Pituka e o Tiziu, que continuam enroscados em seus trapos, não sei se de lã ou feltro. E enquanto digito este texto, a Rita Lee canta “Saúde”, dizendo: “(...) enquanto estou viva e cheia de graça, talvez ainda faça um monte de gente feliz”. Minha história com esta cantora começou na década de setenta e foi assim. Numa de suas férias do seminário em Juiz de Fora, meu irmão mais velho trouxe uma dezena de pôsteres de artistas que estavam em voga naquela época, e essas fotos foram coladas numa parede da sala. Eram atrizes de novela e cantoras, que eu desconhecia por completo. Naquele tempo, pouca gente na minha terra tinha televisão, e na roça, onde morávamos, não tínhamos sequer rádio de pilha. Para nós, esse irmão era uma mi...