MEMORIAL DE VIAGEM – PARTE 12
22) Você, raro leitor, não se agaste por eu me arrastar na descrição desse meu desatino na tentativa de descer daquele telhado. Saiba que a minha aflição deve ter sido bem maior do que a sua. Nunca alguém se comprouve por passar longas horas a sol a pino sobre um telhado, refém do medo de despencar de telhas escorregadias e acossado pela sede que lhe seca todas as mucosas. Pois bem, essa era a situação em que eu me encontrava. Num esforço, a custo, alcancei o primeiro degrau. Senti meu pé direito se firmar e, com um movimento trêmulo, consegui alcançar o outro degrau, que estava um pouco longe. Explico: a escada, além de ser “perneta” conforme já disse linhas acima, tem os degraus muito distanciados uns dos outros, o que dificulta seu uso, particularmente para quem sente pavor de altura e estando em iminente perigo como eu. Ainda com os pés mal postos sobre os degraus e na tentativa de estabilizar a escada, que teimava em deslizar, deitei-me-sobre as telhas e fui firmando dev...