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Mostrando postagens de janeiro, 2017

REBELADOS

Tencionava escrever sobre minha recente visita aos pais, mas fui atropelado pelo noticiário e me desviei daquela rota. Com a licença do arredio e voluntarioso leitor, vou nesta.   O Brasil está dominado por criminosos – de gravatas ou bermudões – desde que aqui chegaram as gravatas e os bermudões. Engravatado preso quase não há, mas pés de chinelo sob ferros encontram-se à farta. E estes despertaram o novo ano com diversas rebeliões no Norte e Nordeste do País. Discutem as possíveis motivações, com bem fundamentadas teses, os doutores nos telejornais e os bebuns encostados no balcão ensebado do bar do Barba. Embora não sendo doutor nem bebum, quero opinar sobre o que acontece, mas “posso não lhe agradar”.   Ouço dizer que no Brasil há presos em excesso, que o ideal é fechar cadeias, que estas são universidades do crime e não recuperam ninguém, que o sistema é ‘ punitivista’ e que as rebeliões que ora acontecem são devido à superlotação. Mas como até a “mãe do Michelzinho” deve saber, ...

MARIAZINHA

“Felipe, a Maria do Antônio Moisés faleceu” . Assim meu pai escreveu em minha página do ‘feice’, mas poucas pessoas sabem de quem se trata.   A Maria do Antônio Moisés, que antes tínhamos por ‘Mariazinha’, mudara-se com a família no início dos anos setenta para uma casinha próxima de nós, na zona rural de Guiricema. Era uma mocinha de uns vinte anos e tinha três irmãos: João, com três ou quatro anos; o Zé, meu companheiro de infância e de traquinagens; e Teresa, sua inseparável companheira. O pai era o Antônio Procópio, conhecido por Antônio Moisés – a quem os íntimos chamavam de Antônio Cabrito – e sua mãe era a dona Fiinha, cujo nome de batismo eu nunca soube.   Mariazinha, filha primogênita de humildes camponeses, não desfrutou da infância nem da mocidade. Devido às circunstâncias desfavoráveis em que foi criada, não frequentou escola, dedicando-se desde cedo ao penoso trabalho na lavoura onde roçava, plantava, capinava etc. Assim, em terras alheias que a família arrendava, cultivav...