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Mostrando postagens de julho, 2023

IMPACIÊNCIA

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Dia desses, decidi sair mais cedo para a caminhada com os cães. Na verdade, são eles que saem comigo, arrastando-me pelo bairro numa latição de tirar a paz até dos anjos.   Assim que alcançamos a rua, ajustei o fone de ouvido para ouvir mais um episódio da Rádio Novelo naquele começo de tarde ensolarada. Tudo ia bem até que alguém perturbou meu sossego. Um homem de bermuda, boné, porrete e celular ligado em som alto, que vinha em sentido contrário, parou e quis conversar. Eu não conseguia ouvi-lo por causa dos meus fones; já ele não me ouvia por que o som dele estava muito alto. Como reza a boa educação, desliguei meu aparelho; ele, no entanto, continuava barulhento, embora insistisse em conversar. Eu conheço aquela figura há anos, mas nunca soube seu nome.   Eu tinha pressa. Queria continuar ouvindo meu podcast, precisava voltar pra terminar o almoço e tentei me despedir. Em vão foram meus planos, porque ele desligou o som, deu meia-volta e me acompanhou. Sem ter afinidade comigo e p...

VEXAME VERDE-OLIVA

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No começo desta semana, um militar teve de comparecer à CPI que investiga atos antidemocráticos. Até aí, normal, porque outros militares já deram depoimentos a diversas CPIs sem que algo de assombroso acontecesse.   Mas esse depoimento chamou a atenção por um motivo inusitado, quase pitoresco. Um tenente-coronel do Exército compareceu à comissão inquiridora imponentemente fardado, com o peito estufado repleto de medalhas, insígnias e outras quinquilharias – não se sabe, mas talvez com intenções intimidativas. Chegando, tomou assento à mesa, impostou a voz e começou a ler numa folha de papel os seus “grandes feitos” pela pátria e por todos nós.  Depois, alegando direito ao silêncio conseguido via habeas corpus junto ao STF, permaneceu calado. Durantes aquelas muitas horas em que ficou sentado no “banquinho da disciplina”, ninguém conseguiu arrancar do sujeito, antes tão falastrão, ao menos uma interjeição. Uma situação no mínimo vexatória para ele e seus pares, gente que esbanja altivez...

A NATUREZA SUBJUGADA

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Não me canso de contemplar essa foto que traz as entranhas de uma árvore cujas raízes, humilhantemente expostas de ponta-cabeça, evocam um ‘cadáver insepulto’.   Fico imaginando quem foi a dona desse “corpo” e o que pressentiu quando dela se aproximou a motosserra. Claro que a desventurada árvore gostaria de sair em disparada “pelos vales e campinas” até que a tenham perdido de vista. Mas a natureza não lhe permite movimentos e ela teve de encarar a morte ali mesmo, heroicamente estática.   Que mal teria feito aquela árvore? Ela só faz o bem. Diariamente, quando adulta, uma única árvore pode transferir para a atmosfera mais de cem litros de água, que formam as nuvens. As matas são responsáveis pelo controle da temperatura e pelo ciclo das chuvas; sem elas, nosso planeta seria um deserto inóspito.   Tento fazer a minha parte. A nossa casa é literalmente abraçada por árvores, com mangueira, abacateiro e até amoreira acariciando o telhado. Se as calhas entopem ou se uma telha desliza, sub...