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Mostrando postagens de dezembro, 2017

ILHÉUS, CORAGEM!

Numa ilha inóspita, a muitas milhas da civilização, há uma escola em que...   Teve aluna mandando o professor tnc; mas teve professor que não foi tnc, e fez queixa policial da aluna que o mandou tnc.   Teve professor vociferando e apontando covardemente o dedo para uma colega; e teve professor devidamente enquadrado por ‘grunhir’ covarde e ferozmente com a colega.   Teve professor exigindo decência de quem lhe apontaria o dedo; e teve professor comportando-se “civilizadamente” após reprimenda de quem não aceitou o ‘dedo apontado’.   Teve aluno agredindo verbal e fisicamente o colega de classe; e teve aluno agredindo física e verbalmente uma funcionária da escola.   Teve pai de aluno ameaçando veladamente um professor durante reunião; mas teve alguém pedindo explicação ao homem que ameaçava veladamente o professor.   Teve pai de aluno ameaçando agredir professor com barra de ferro; e teve pai dizendo não se tratar de ameaça, mas de conversa “amistosa”.   Teve professor sugerindo em rede...

O ESTADO LAICO

Publicado na "Tribuna de Amparo" - edição de hoje.   O Brasil está em chamas. As “temerárias” labaredas já queimam direitos sociais e chamuscam liberdades individuais, delineando um horizonte tenebroso via reformas. O primeiro desses remendos fez ressurgir, com ares de modernidade, a infame escravidão, que a Justiça tem combatido em seus primeiros movimentos. E querem votar, ainda neste ano, a reforma da Previdência!... Por que não estabelecem o teto do INSS a todos os viventes aposentados deste pais? Seria tão simples e quem quisesse mais, que contribuísse por fora.  Dessa forma, sobraria dinheiro até para o salário mínimo dos trabalhadores rurais aposentados. Os lavradores – na opinião dos “barnabés engravatados”, acredite – são os maiores responsáveis pelo rombo no “casco previdenciário”.   Não se sabe por quê, mas enquanto o incêndio avança, as panelas, que tanto estardalhaço fizeram tempos atrás, estão mudas. Não se ouve sequer um rangido de frigideira ou um roçar de col...

MANO VÉIO

Publicado originalmente em15/04/2013 no blogdomouralima   Aquele menino acaba de completar 55 anos. Ainda ontem, estava ele na casa dos pais, ajudando na labuta para sustentar uma prole já grande e ainda crescente. Mal acabara de completar onze anos e o curso primário, já assumiria o posto de braço direito da família na lida com a lavoura. Todos os dias, exceto domingo, levantava-se bem cedo, lavava o rosto, tomava uma xícara de café, enchia uma moringa com água, pegava seu cacumbu (enxada velha e mal encabada) e rumava para o roçado. Eu deveria acompanhá-lo, mas, malemolente como sempre, chegava atrasado, o que me renderia fartas e sonoras repreensões. E hoje, aqueles longínquos tempos que a memória traz de volta percorrendo um atalho – esses misteriosos cosmológicos “buracos de minhoca” de nossa mente – tomam-me de assalto.   O menino, certo dia, foi para a ‘cidade grande’, passando-me o cajado da responsabilidade rural, que nunca consegui segurar com firmeza, para tristeza de papai ...