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Mostrando postagens de maio, 2025

SERIAM OITENTA E SEIS...

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A imagem que abre a crônica me transporta para um passado longínquo, já quase esquecido, quando meus pais moravam numa casinha simples, fincada na encosta de uma montanha das Gerais. Nesse pequeno recorte entrevê-se parte do cotidiano de minha mãe, que parecia pensativa, tentando lembrar algum nome ou fato. Talvez ela tenha sido interrompida em suas divagações enquanto escrevia, embora não me pareça contrafeita com isso. A pequena fotografia diz muito sobre a vida modestíssima que meus pais levavam. Mamãe está no seu quarto, tendo ao fundo a janela de tábuas rústicas; à esquerda vê-se o batente carcomido da porta; no canto, um esteio de madeira bruta revela serem as paredes feitas de pau-a-pique.    Meus pais se mudaram para essa casa em 1979 e lá permaneceram por duas décadas. Muitas são as histórias contadas pela irmandade tendo como cenário essa “choupana”, o riacho que margeava o terreiro, o pé de manga defronte à cozinha, o campinho mais à frente onde a meninada brincava de bola, ...

BRUXA

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Sim, pode parecer estranho, mas ‘Bruxa’ é o verdadeiro nome de Paulo Eduardo Belizário – pelo menos para o seu círculo mais íntimo, do qual orgulhosamente faço parte. Pois é... o Bruxa, companheiro de tantas festinhas, partiu inesperadamente no anoitecer de ontem. Estávamos preparando uns petiscos para comemorar o Dia das Mães com as mães da família, mas não deu. O Bruxa decidiu ir para outra “festa”, onde a alegria não termina. Vai ficar um enorme vazio nos nossos encontros, porque o Bruxa era o mais divertido, o mais animado e ele era também uma pessoa que ‘conseguia nos irritar sem aborrecer’. Pode parecer estranho, eu também acho, mas muitas vezes o Bruxa me irritou com suas provocações. No entanto, eu nunca fiquei aborrecido com ele. “Mas como pode isso?”, você deve estar perguntando. Vou explicar. Quem me conhece sabe que eu não gosto de reuniões. Qualquer encontro em que se agrupam três pessoas já fico incomodado e, podendo, arrumo um jeitinho de “sair à francesa”. Mas com esse ...