ENQUANTO SE PODE ACHAR
O tempo é ligeiro. As horas passam, os dias vão. Os meses, os anos, os séculos – todos voam em velocidade de cruzeiro. Com eles, vamos todos passando, desfilando pela vida rumo ao desfiladeiro que nos aguarda. Por isso, uma visita aos pais, ao amigo, ao irmão, ao parente distante é algo que não se pode postergar. Se o hoje existe, o amanhã é uma incerteza. De presente, temos o ‘presente’; o futuro é miragem. Rabisco este texto numa madrugada na casa de meus pais, que estão velhinhos. Velhinhos, mas felizes. Felizes e saudáveis. E a alegria desse reencontro é um indescritível sinal do Reino. O dia desperta ao som de galos, grilos e sapos na lagoa. Uma carimbamba, lá nas encostas, participa deste alvorecer com sua clássica cantata: “ Amanhã eu vou, amanhã eu vou, amanhã eu vou ”. Talvez ela saiba que amanhã estarei com meu irmão mais velho, o Mano Véio – já ‘sessentão’ e que parece nunca abandonar a juventude. Depois de amanhã, reverei dois amigos: um não vejo há algum tempo, o outro a...