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Mostrando postagens de fevereiro, 2022

NO TERMINAL RODOVIÁRIO

Cheguei com relativa folga à rodoviária de Sampa. O tempo me permitiu passar na ‘feirinha literária’, que é uma espécie de “quarto de despejo” de uma livraria. Ali há livros a preços bastante razoáveis. Com módicos 15 reais, por exemplo, compram-se clássicos da literatura brasileira. Sempre levo livros infantis para algum sobrinho e palavras cruzadas para meu pai. Dessa vez garimpei um calhamaço com 365 cruzadinhas por apenas 20 reais. Olhei mais alguma coisa e pedi desconto, mas era só para professor, que precisaria mostrar contracheque. Peguei as cruzadas e uns livrinhos, dentre eles um romance brasileiro do século dezenove, e, por não ter holerite, paguei a fatura cheia e saí.   Fui ao banheiro.  Havia muita gente lá. O piso molhado, escorregadio. Em cada ‘’cabine’’, alguém aliviava as tripas. Naquele momento eu me lembrei de um irmão que costuma dizer: “Se eu estiver no banheiro, não fale comigo. Nem adianta insistir. Pode me chamar, falar, perguntar o que quiser que eu não respond...

MEU PRIMEIRO ALUNO

Imagem
A imagem acima deverá ser a de minha última lousa. Eu quis fazer o registro porque nesse dia, quando se completavam exatos trinta anos de magistério, eu estava me despedindo dos alunos para uma licença bastante prolongada, e sem o propósito de retornar à sala de aula.   Certa vez escrevi neste blog, que um professor deveria se aposentar aos ‘cinquenta anos’ porque o docente, assim como a mortadela, tem data de validade. No meu caso, a coisa está ficando mais complicada porque já fiz ‘sessenta’!   A minha primeira experiência de professor se deu quando eu tinha dez anos de idade. Um tio, que era trabalhador rural e que estava para fazer dezoito anos, queria se mudar para a ‘cidade grande’ e tentar uma vida melhor na indústria. Para isso, ele teria que fazer um teste de conhecimentos que incluiria alguma operação matemática. Numa tarde,  ele apareceu na minha casa montado numa égua e me pediu para lhe dar umas “aulas”. Meu pai consentiu e ele me pôs na garupa do animal, que foi trotando ...