NO TERMINAL RODOVIÁRIO
Cheguei com relativa folga à rodoviária de Sampa. O tempo me permitiu passar na ‘feirinha literária’, que é uma espécie de “quarto de despejo” de uma livraria. Ali há livros a preços bastante razoáveis. Com módicos 15 reais, por exemplo, compram-se clássicos da literatura brasileira. Sempre levo livros infantis para algum sobrinho e palavras cruzadas para meu pai. Dessa vez garimpei um calhamaço com 365 cruzadinhas por apenas 20 reais. Olhei mais alguma coisa e pedi desconto, mas era só para professor, que precisaria mostrar contracheque. Peguei as cruzadas e uns livrinhos, dentre eles um romance brasileiro do século dezenove, e, por não ter holerite, paguei a fatura cheia e saí. Fui ao banheiro. Havia muita gente lá. O piso molhado, escorregadio. Em cada ‘’cabine’’, alguém aliviava as tripas. Naquele momento eu me lembrei de um irmão que costuma dizer: “Se eu estiver no banheiro, não fale comigo. Nem adianta insistir. Pode me chamar, falar, perguntar o que quiser que eu não respond...