ONANISMO PEDAGÓGICO
O título pode chocar os leitores mais pudicos, se é que os tenho, mas não achei palavra melhor para traduzir meus ânimos nesses tempos pandêmicos. Começo falando sobre algo ocorrido nesta semana e que me deixou desconcertado, isto é, a meio caminho entre a vergonha e a ira. Fiquei envergonhado porque, ao longo de trinta anos como professor, nunca fui repreendido por um superior sem que este não recebesse a devida réplica; desconcertado porque fui admoestado e sem condições de me defender; irado porque há um plano malévolo de doutrinamento de professores orquestrado por uma elite que desconhece a escola pública. Ano passado, durante todo o período de teletrabalho, fomos obrigados a assistir a inúmeras videoconferências, teleconferências, palestras, monólogos e quejandos. Neste ano, apesar do risco de contaminação, fiquei mais tranquilo porque me senti livre daquelas amarras. Mas descobri que não estou liberto. Explico. De volta à sala de aula, sem alunos, e com vontade de exercer ...