MEMORIAL DE VIAGEM – SÉTIMA PARTE
15) Um pouco cansado, deixei a
pia e saí para tomar um ar. Nisso a tia voltou a me interpelar sobre a
acompanhante, que já deveria ter chegado e ainda não apareceu. Eu disse pela
quarta ou quinta vez que a moça não viria, e quem ficaria de acompanhante
naquela noite seria eu. Mas a tia não se deixou vencer. “Meu Deus, eu estou
pagando para ela vir todos os dias, e agora não vem?... Então vou descontar os
dias que ela faltar...” Nesse momento eu fiquei bravo, mas tentei mitigar minha
brabeza, apenas dizendo que a moça precisa descansar. E que todas as vezes que
eu estivesse ali, ela não precisaria vir. A tia decidiu ser mais direta e
atacou: “Pois ela teria de vir, sim, ao menos pra catar os cocôs dos gatos aqui
no quintal!” “Ah, tia... então essa é a sua preocupação?! Pois está resolvido.
Vou catar agora!” Ao ouvir isso, aquela senhora entrou em parafuso, não sabendo
se comemorava ou embrabecia. “Ah, não acredito que você vai fazer isso!...”
“Vou, sim. E me fale como devo fazer”. Ela me deu as instruções, apontando para
uma vassoura e uma pazinha, que eram as ferramentas exclusivas dessa obra.
Então peguei a vassoura e a pá, recolhi as fezes da gataiada e joguei dentro de uma sacola que ficava num tambor na
varanda. Nessa hora a coisa azedou pra mim. “Você jogou ali dentro?! Ah, meu
Deus, não era pra pôr ali, não. Aquilo ali é reciclagem. Ah, meu Deus!!!”,
lastimava a pobre mulher. “Calma, tia. Eu pego de volta.” “Não tem jeito. Vocês
não poderiam dispensar a funcionária. Ela que sabe fazer isso. Ah, meu Deus!...”
Abri o tambor, virei, espalhei tudo
no chão e fui recolhendo cuidadosamente o material reciclável para pôr de
volta, enquanto deixava ao lado os excrementos. Ao final, deixei tudo como
estava, recolhi mais uma vez a titica dos gatos e a joguei além do alambrado.
De novo a tia: “Olha o que você
fez!... Sujou toda a reciclagem!” “Não sujei nada, tia. O cocô está sequinho.
Se eu pegasse sem luvas, a mão continuaria limpinha”, eu disse num quase
sorriso – mais de aflição que contentamento. A tia até parecia achar graça no que ouviu,
mas não quis rir e emendou: “Onde jogou o cocô?” Apontei orgulhoso para os
lados além da cerca. Ela nublou-se novamente: “Ali é o quintal do vizinho! Ah,
meu Deus... Que falta faz a minha funcionária!...” “Não, tia, pode deixar que
eu dou um jeito.” Passei para o lado do vizinho, peguei todos aqueles cocôs, que
a essa altura já deveriam estar bastante “cansados” de tanta mudança, e os joguei
pra bem longe, lá num matagal. Minha tia me olhou com uma pontinha de desconfiança,
mas não quis perguntar mais nada e entrou.
Aqui chego ao fim dessa labuta,
mas tem mais.
(continua)
FILIPE
Somente rindo pra não chorar! kkk
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