Postagens

Mostrando postagens de março, 2017

CARNE AMARGA

Não fui consultado sobre o que penso da ‘Operação Carne Fraca’ que abalou o País, mas estou dando meus palpites. De início, estranhei o nome “carne fraca”, que me fez lembrar o apóstolo Pedro num franco desabafo ao Mestre. Pedro tinha o ‘espírito forte’, mas admitiu ter a ‘carne fraca’. De minha parte, não sei se minha carne é forte o bastante para trabalhar até os sessenta e cinco anos como quer o “ogro do Planalto”, mas o meu espírito é bem fraquinho e tem passado por muitos perrengues ao longo desses anos.   Deixando de lado a “franqueza  petrina ” e voltando às mazelas verde-amarelas, parece que os policiais federais acharam carnes estragadas, e carne estragada não é carne fraca, mas podre. Se a operação não pôde ser batizada com o sugestivo nome de “Carne Podre” é porque algo ainda mais putrefato ocorrera com as autoridades.     A mídia não destaca, mas está também em curso a ‘Operação Carne Fria’. Nesse trabalho, a PF investiga negócios entre pecuaristas de áreas ilegalmente desm...

ÓLEO NA PISTA

Publicado originalmente em 16/12/2011 - blogdofilipemoura   A tarde escorria insuportavelmente quente e preguiçosa. Interrompi uma leitura e vagueei pelo prédio nu, desprovido de sua matéria prima: os alunos. Lá fora, um pequeno grupo se formava em torno de um homem traído por sua moto, que lhe deu uma rasteira e o estatelou no chão – felizmente não se ferindo. Houve certa agitação, alguém ligando para os Bombeiros, ou para a Guarda etc. Passados alguns minutos e já resolvido o problema do desafortunado motoqueiro, saí para observar as coisas e “investigar os seus porquês”. Um colega estava parando os motoristas, a fim de alertá-los quanto ao óleo derramado no “leito carroçável” ou “pista de rolamento” – conforme dizem as autoridades –, mas para nós, os comuns, é rua mesmo. Ou chão da rua, para ser exato.   Compadeci-me do amigo. Estava vermelho e sua “laje”, luzidia e descoberta, parecia estorricada pela inclemência do sol. Quis ajudá-lo, alternando com ele. Ora ele orientava, ora eu....

UMA CORRESPONDÊNCIA

Meu querido irmão Filipe, paz e bem!    Que bicho estranho eu sou, né? Você até se antecipou ao meu aniversário e eu, nada!    Mano, muito lhe agradeço as palavras de sincero afeto por ocasião de meu natalício! A gente é humano e se alegra pela amizade e pelas expressões de carinho, sobretudo quando são expressões da alma! Estou muito feliz de chegar aos 44! (um pouco preocupado também, é verdade... Tô ficando velho e às vezes isso assusta! Coisas para integrar!)    Mano, como de outras vezes, consegui passar uns dias, durante o meu níver , no Morro [um eremitério], lá em Guarapuava. Dessa vez foi bem diferente, pois fiquei sozinho. Na primeira noite, fiquei meio receoso (ansioso). Me c huchei cedo debaixo das cobertas – na verdade, o meu mantéu de frade. Não levei cobertor, pois achei que lá já teria, ou quem sabe..., é verão ainda e estaria mais quente. Passei um frio danado. Aos poucos, fui me acalmando e só não dormi melhor mesmo, devido ao frio. No segundo dia não pousei lá, mas ...

BANANA-MAÇÃ

Imagem
Um ano atrás, ganhei de meu pai uma pequena plantinha, que embrulhei com muito jeito num jornal e pus dentro da mochila com cuidado para não a sufocar. Não há criatura mais vulnerável do que uma mudinha de banana, principalmente se ela está dentro de uma mochila e se essa mochila está com alguém displicente, que quer transportá-la por centenas de quilômetros.   Meu pai pegou essa muda onde existe uma rústica plantação de bananas-maçãs, ainda dos tempos de meu avô paterno. E o pequeno filhote chegou ao destino, ganhando como bercinho um vaso bem adubado. Então, entre mimos e regas, a primeira folha despontou minúscula, num desanimado verde-abacate. Depois, com outras folhas já num verde mais pronunciado, a menina foi se animando, refolhando-se e se vestindo, até ser necessária sua mudança para o solo, onde se emancipou. Seu novo lar foi numa encosta, próximo a um pé de manga-espada, que por aqui se diz manga-bourbon. A anfitriã mangueira, uma exuberante “pré-adolescente” que também veio...