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Mostrando postagens de agosto, 2024

CÉU FUMARENTO

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Essa foto eu tirei da varanda de minha casa um minuto antes de abrir o computador para escrever esta crônica. O sábado, que sempre foi para mim um dia arrebatador, hoje está assim, tristonho, como se vê na imagem. Nas manhãs sabatinas, costumo fazer pequenos vídeos para alguns amigos e parentes, aqueles que me são mais próximos, mas hoje não consegui essa alegria matutina. Hoje, como sempre, levantei-me bem antes de o dia clarear para as minhas preces, depois veio o chimarrão, as leituras e as músicas. Este sábado, porém, me veio amargo. As chuvas estão escassas e o dia amanheceu nublado. Seria um bom sinal, né?... Só que não. Acho que essa é a primeira vez que experimento a sensação horrível de um dia nublado e sem nuvens. É algo semelhante a uma plantinha linda, viçosa, mas, chegando bem pertinho dela, percebe-se que é de plástico – a coisa mais sem graça de se ver –, mas com um tempero bem mais trágico. Justamente no momento em que digito este texto, Tonico e Tinoco cantam “Pingo d’...

BANQUINHO DE SUCATA

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Olha a folga! E eu pensando que tivesse feito esse banquinho pra mim... Que nada! Depois que essas duas figuras chegaram, nunca mais pude sentar ali pra ‘pegar a fresca’ ao entardecer, como eu sempre costumava fazer. Você que me lê não imagina como é gostoso sentar nesse banco. Ele é feio? É, mas eu não acho. Malfeito? Talvez, mas eu não acho. Esse banco foi feito com madeiras já “aposentadas”, algumas apanhadas na rua. Aliás, esse tem sido meu hobby . Sempre que saio com os cães, não esses pirralhos aí da foto, mas os outros dois, meus velhos companheiros de caminhada, fico bisbilhotando as construções e os rejeitos em seu entorno. A minha alegria é maior quando vejo uma caçamba de sucata. Ali costumo garimpar algumas preciosidades como madeiras descartadas e que iriam para o lixão. Com elas fiz prateleiras, portão, uma espécie de mesa de carpinteiro e até esse banquinho. Também já corri algum risco de ser preso por furto, e risco real! Explico. O vizinho de baixo estava de mudança. F...

DONA AÍDA, A MINHA PRIMEIRA PROFESSORA

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Não, eu não queria estar em destaque nessa foto, mas não tive escolha. Isso porque nessa imagem estou pegando na mão da professora que me ensinou as primeiras letras, e eu teria de fazer esse registro aqui. Foi a dona Aída quem me ensinou a pegar o lápis para que eu pudesse fazer meus primeiros rabiscos, desenhando as vogais, algumas consoantes e o meu nome. Foi ela também quem me conduziu ao universo escolar, do qual nunca mais me desvencilhei. Durante a breve visita àquela senhora, por quem tenho um sentimento filial, a minha memória foi desnovelando cenas de um passado muito distante. Naqueles poucos minutos, pude rever a jovem professora entrando na sala de aula com seus livros, seu sorriso e seu perfume. Depois de um animado boa-tarde, ela escrevia algo no quadro-negro e, em seguida, visitava cada aluno, orientando-os carinhosamente nas lições. A nossa escola funcionava num velho prédio que meu avô paterno ajudou a construir. A minha sala de aula era um pequeno cômodo no porão, qu...