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Mostrando postagens de fevereiro, 2017

ATÉ QUANDO?

O Poder estava “dominado pela senzala corrupta’’, então o “povo do bem” movimentou-se febril, ocupando ruas e praças, batendo panelas ou o que delas sobrou de tão amassadas. E o Poder pôde, finalmente, ser recuperado por uma “legião de anjos bons”. Agora, sob o lema “Ordem e Progresso” – um “achado publicitário” de fazer inveja em Washington Olivetto – a casa-grande pôs de volta o Brasil nos ”trilhos”. O fato de o “presidente-bufão” ocupar o topo na lista da Lava Jato, com 43 citações e, numa irônica inversão de algarismos, seu homem de confiança aparecer com 34 citações é apenas um detalhe. Também é apenas detalhe o fato de o ministro da Justiça ter chupado trechos da obra jurídica de um espanhol, até porque “quem não cola não sai da escola!” Mas, cá pra nós, que coisa feia, hein?! E o cara ainda vai vestir a toga de juiz da Corte Suprema, vai julgar autoridades federais...   A ficha de serviços desse pretenso membro do STF é robusta. Quando titular da Secretaria de Segurança Pública ...

JANELAS FECHADAS

Publicado em 22/06/2012 no "blogdofilipemoura.com"   Por quanto tempo habitara aquele casarão? Para a rua, são sete janelas. Sete janelas sempre fechadas e no interior da casa, aquela misteriosa senhora. Sua existência leve, sutil, passou como uma sombra – dessas produzidas por uma pequena nuvem que encobre o sol. Mas tão fugaz, que mal se nota.    Uma única vez pude vê-la à soleira de uma das janelas timidamente aberta. Conversava com uma passante. Talvez amiga antiga ou, quem sabe, uma vizinha com quem se conta para emergências eventuais. Mas foi só. A sua presença fazia-se notar somente à noite, quando uma tênue claridade, vinda de seus aposentos, vazava pelas frestas de uma ou outra janela. Aquele enorme espaço parecia ser ocupado pela mais absoluta solidão.   A velha senhora se foi tão discretamente como vivera. Deixara o casarão, também velho, de paredes descarnadas, com a cal e o reboco puídos, mas conservando os traços de uma pomposa arquitetura do final dos oitocento...

AIRTON

Eu não me lembrava do nome dele, embora o conhecesse há muitos anos, desde os tempos em que a biblioteca da cidade funcionava aos sábados, quando sempre nos víamos de relance. Naquela ocasião, estava ele sempre afundado nas leituras enquanto eu apenas ciscava os jornais. Nossos cumprimentos eram magros: um meneio de cabeça, um até mais e só.   Certa vez nos encontramos na rua e percebi que era um homem simpático, gostava de conversar. Eu estava construindo, ele passou em frente à obra e quis trocar ideias, porque também estava fazendo sua casa. Tempos depois, reencontrei-o e perguntei o motivo por que não voltara à biblioteca. “Não tenho mais tempo”, respondeu.   Noutra vez o vi atravessando a rua com umas sacolas, apressado, despenteado e ainda assim o abordei. "E aí, tudo bem? Como vão as coisas, tem ido à biblioteca?” Àquela altura, a biblioteca não abria mais aos sábados e eu, há tempos, deixara de frequentá-la. Ele me disse: “Estou cuidando de meus pais e fico sem tempo para ...