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Mostrando postagens de março, 2014

PERDAS

Publicado originalmente em 15/01/2014, no blogdofilipemoura   Perde-se sempre e sempre se perde na  busca de um dia não vivido. Da tarde de um domingo esquecido, escondido nas entranhas do passado. Abundante e traiçoeiro passado, és tu que afugentas o futuro e o presente ofuscas?!   Perde-se sempre e sempre se evita a perda. Se o futuro não se faz presente  e o passado nada mais representa... Então, o que fazer?... Nada a fazer.   Esperar que nada aconteça é espreitar o vazio. É o fim das lustrosas ilusões,  das esperanças vãs. Quem espera quase sempre não  alcança ; quem alcança, não espera alcançar sempre. Mas perdas... sempre as há.   E a vida vai escorrendo  sobre as pedras da estrada, da escada. Nesta escada fica, em cada degrau,  um pouco de vida não vivida. Fica vida nos desvãos da escada,  como sombras.   Que sobram                                     lôbregas, pavorosas, de um sonho interrompido.  Mas continua a assombrosa escalada. No final, sobra-se só. Soçobra-se.   FILIPE

ÁGUA

O Sudeste vai virar deserto? Decerto que não, mas os nordestinos estão em melhor sorte do que os “sudestinos”, pelo menos em números pluviométricos.  No Nordeste tem chovido mais que no Sudeste, e isso tem afetado humores e planos de políticos paulistas. O governador do estado, que gosta de se apresentar como médico, mas do ofício deve ter aprendido apenas a aplicar injeção – vira e mexe está ele na TV com uma agulha espetada em alguém –, anda em apuros. Sem a colaboração de São Pedro, seu melhor “cabo eleitoral”, sua “re-re-re-eleição” poderá ir para o ralo. Sem água em casa, o eleitor dificilmente votará num grupo – há duas décadas encastelado no poder estadual – que não investiu um vintém em infraestrutura hídrica para seu povo. É esperar para ver, mas nem sei se quero mesmo que chova este ano, sabe?... Xô, Geraldo Agulha!   Nunca desperdicei água e nem outra coisa nesta vida que Deus me emprestou. “Econômico” poderia até ser um de meus sobrenomes, pois costumo ser bastante ponderad...

O SOLAR DOS MOURAS

Publicado originalmente em 24/01/2014 no "blogdofilipemoura.com" Ardendo sob o sol de janeiro, percorríamos o íngreme caminho. Estava eu na doce companhia do Freizinho (um irmão) e de papai. O velho nos ciceroneava contando histórias de antepassados que viveram por aquelas bandas. Parando de vez em quando numa sombra à beira da estrada, fomos subindo, subindo, até avistar ainda ao longe o imponente casarão. A lendária sede da fazenda Boa Vista, erguida na segunda metade do século dezenove por meu trisavô Germano Antônio de Moura, pai de meu bisavô Germaninho de Moura, parecia nos esperar. Nela o patriarca Germano deu início à saga dos Mouras em terras de Guiricema – um  aprazível rincão das Gerais. Sebastião de Moura, o filho mais moço de Germano, herdou a propriedade e nela criou sua “pequena” prole de quinze filhos. Seu Tatão, como era conhecido, era homem refinado e costumava gabar-se de ter estudado no famoso Caraça; tinha cultura acadêmica e usava o artesanato como hobby...

PLIM PLIM

Eles desde sempre estiveram na lista da Forbes. Mas o que significa “estar na lista da Forbes”? O que é a lista da Forbes? Ninguém se interessava por tal ranking até que um indivíduo falastrão, de nome “Aique” (assim se pronuncia por exigência do próprio), apareceu ranqueado como o homem mais rico do Brasil. Esse cidadão, pra lá de brega, chegou a expor um carro de luxo em sua sala de visitas como se fosse uma árvore de natal. Era “apenas” o oitavo no mundo, mas, de repente, ficou pobre. Pobre assim como nós. Com a diferença de que, embora ostente lá seus milhões, ele deve. Deve..., que dá tristeza na gente. Morro de dó, e tenho até vontade de promover uma vaquinha pro seu lanche da tarde. Uma pena, pois dizia sempre que seu sonho era tornar-se o homem mais rico do planeta.   Mas a família mais poderosa do país não é a do cervejeiro que está no topo. Nem a de banqueiros, que têm “banco cativo” naquela revista.  Essa família começou a fazer fortuna no regime militar, beneficiando-se del...