PERDAS
Publicado originalmente em 15/01/2014, no blogdofilipemoura Perde-se sempre e sempre se perde na busca de um dia não vivido. Da tarde de um domingo esquecido, escondido nas entranhas do passado. Abundante e traiçoeiro passado, és tu que afugentas o futuro e o presente ofuscas?! Perde-se sempre e sempre se evita a perda. Se o futuro não se faz presente e o passado nada mais representa... Então, o que fazer?... Nada a fazer. Esperar que nada aconteça é espreitar o vazio. É o fim das lustrosas ilusões, das esperanças vãs. Quem espera quase sempre não alcança ; quem alcança, não espera alcançar sempre. Mas perdas... sempre as há. E a vida vai escorrendo sobre as pedras da estrada, da escada. Nesta escada fica, em cada degrau, um pouco de vida não vivida. Fica vida nos desvãos da escada, como sombras. Que sobram lôbregas, pavorosas, de um sonho interrompido. Mas continua a assombrosa escalada. No final, sobra-se só. Soçobra-se. FILIPE