DESARMAI-VOS!
De pequeno, eu já sonhava com uma arma. Comecei com arco e flecha feito de bambu, depois evoluí para canivete, faquinha de ponta, espingarda e... Parei na espingarda, interrompendo uma trajetória que teria me levado a uma cobiçadíssima ‘garrucha calibre 22’. Meu primeiro canivete foi um presente de meu pai quando completei dez anos. Lembro bem do dia em que meu irmão mais velho e eu fomos à cidade com o dinheiro dado pelo Velho, que seria a conta de pagar o presente. Era um domingo de verão com céu nublado e chão molhado. Após caminhar por mais de hora numa estrada barrenta, chegamos à vendinha do Jurandir, em Guiricema, e compramos os canivetes. O meu irmão escolheu um com cabo branco e o meu tinha o cabo em tons escuros. Aquele foi um dia de grande contentamento para mim, porque com um canivete no bolso eu passei a me sentir um homem-feito. Naquele tempo era assim mesmo. O passaporte masculino para a idade adulta era uma pequena arma ou cigarros. A história da espingarda foi di...