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Mostrando postagens de agosto, 2025

MÁRIO

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Numa manhã, em viagem de visita a familiares, ao longo de uma maratona recheada de imprevistos e já bastante fadigado, eu me sentei num banco de cimento da rodoviária e comecei a ler enquanto esperava o ônibus. Estando já imerso num conto de Clarice Lispector, um farfalhar desviou minha atenção: absorto em seu labor, um homem varria, varria e ajuntava; varria, varria e ajuntava. Depois pegava o lixo com a pá e despejava num saco plástico. Era o Mário que se aproximava, trabalhando calado e ligeiro. O corpo esguio lhe conferia agilidade, fazendo lembrar os campeões da Corrida de São Silvestre. No entanto, o homem que varria, embora nunca tenha sido atleta, certamente tem habilidades quase olímpicas, sem as quais não sobreviveria. Quando ele chegou mais perto, peguei meus trastes e mudei de lugar a fim de lhe facilitar o trabalho, mas não sem antes de lhe dar bom-dia. Foi a primeira vez que o Mário parou de varrer. Agora, apoiando-se no cabo da vassoura, com os olhos fixos no horizont...

QUARENTA ANOS DE PADRE

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Esse é meu irmão José de Anchieta, que completou exatos quarenta anos de presbiterato no último dia quatro. Eu deveria ter escrito algo naquele dia, mas acabei optando por minhas costumeiras desimportâncias . Ademais, esse mano costuma comemorar aniversário por vários dias, chegando a mês de festejos! Então penso estar valendo o escrito aqui. Da irmandade, talvez eu seja aquele que tenha acompanhado mais de perto a trajetória desse irmão nos tempos de seminário. Isso porque morei por uns tempos em Juiz de Fora e lhe fazia frequentes visitas. Pelo menos de uma coisa me orgulho na exclusividade: fui o único da família que assistiu às três cerimônias de sagração desse clérigo: os Primeiros Votos, na capela do Seminário Santo Antônio; o Diaconato, numa igreja do bairro Santa Cruz, também em Juiz de Fora; e a Ordenação Presbiteral, essa acompanhada por todos os familiares, na igreja matriz de Guiricema – todos esses eventos no estado das Minas Gerais. Ninguém sabe de um segredo, que talv...

O BANANINHA

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Nunca pensei que um dia eu pudesse agradecer, pelos “grandes serviços prestados”, esses dois notáveis caricaturados acima. Um pouco mais à frente tento explicar o porquê desse meu estranho contentamento com tais ‘ roedores’ . Um deles, o deputado bozó, também conhecido como ‘Bananinha’ pelos que lhe são íntimos, fugiu para os ‘estados unidos’ (aqui sempre com minúsculas) a fim de preparar um golpe. Mas o golpe parece que não vai acontecer – não por falta de esforço (justiça lhe seja feita, ele é muito esforçado), mas por incompetência mesmo. Sim, o ofício da maldade exige, além de empenho, bastante inteligência, e essa parece ser escassa naquela cabeçorra. Primeiramente, eu agradeceria ao ‘Donald’ pelos “bons serviços”, que, taxando de forma vil os produtos brasileiros, acaba dando uma preciosa contribuição ao meio ambiente. Isso porque, se a carne bovina perder mercado, a pecuária refluirá, reduzindo o desmatamento da Amazônia. Com menos gado, há menos soja e mais árvores – assim e...