O TRONCO DE TAJUBA
“Chegou!”, disse ele às seis da manhã, dando-me um caudaloso abraço. “Nunca pensei que eu fosse chegar a esta idade, mas fazer ‘oitenta e sete anos’, andando... só tenho que agradecer a Deus!”, completou o alegroso aniversariante. O dia foi intenso. Cedinho, já estava no feice , onde as felicitações se acumulavam, e a cada mensagem ele respondia com particular atenção. O telefone também tocava. Ao som do celular, largava o notebook e corria para o quarto, onde o aparelhinho não lhe dava sossego. Eram filhos, sobrinhos, parentes, amigos, admiradores. Garboso de sua saúde, papai diz: “Eu sempre fui perrengue, muito doente, mas Deus me concedeu uma velhice tranquila. Olha, eu não tomo nenhum remédio e durmo a noite inteirinha!... Isso é graça!” Mamãe, porém, tem sido objeto de suas preocupações. Ela está bastante fragilizada – mais pelas enfermidades e menos pela idade, que já lhe pesa. Se o papai tem o seu celular, mamãe tem o dela também. Todos os dias, às sete da manhã e às se...