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Mostrando postagens de março, 2018

MISTÉRIOS

Imagem
  A imagem que ilustra esta crônica pareceu-me intrigante. Antes que o leitor escorregue distraidamente pela página, sugiro que volte os olhos para a foto e tente decifrá-la. O que está ali?... Após examiná-la, continue a leitura. Ao final deste “tobogã”, outra imagem o aguarda para fechamento do texto.   Confesso ao ‘ausente leitor’ minha dificuldade para acreditar em milagres, que acontecem, mas sem estardalhaços. A tecnologia, por exemplo, é um milagre do engenho humano – apesar da horrorosa ‘tomada de três pinos’! A tríade (vida, morte e ressurreição) é o mais sublime dos milagres – obra-prima do Criador. Mas há outros ‘sinais’ que nos inquietam cotidianamente.   A história é a seguinte. Uma amiga, freira por mais de trinta anos e a quem chamo carinhosamente de ‘Irmãzinha’, deixou o convento. Houve desentendimentos com a “chefia”, dos quais não tenho ciência, mas dou “carradas de razão” à amiga, que não se ocupa de outra coisa senão rezar e fazer o bem. Eis uma autêntica ‘irmã de c...

A IRMÃ MAIS VELHA

Escrever sobre a “Irmã mais velha” exige tempo, zelo, memória e o talento de um escritor que não sou. Ouso, contudo, pôr nesta página pequenos retalhos da vida dessa singular figura, que não teve uma infância ajardinada e multicolorida como toda criança deveria ter.   Muito cedo, ela teve de assumir compromissos domésticos – ao suceder à mãe impossibilitada pela enfermidade –, começando a fazer nossa comida, lavar as roupas, cuidar da casa e dos irmãozinhos. Por ser ainda tão pequenina, não conseguia alcançar as panelas sobre o fogão, também pequeno. Então, meu pai teve de improvisar, pondo um caixote de madeira para que nele subisse e pudesse manusear conchas e escumadeiras.   A nova cozinheira trouxe-nos conforto, oferecendo-nos refeições nas horas devidas, mas a menina custou a se organizar, atrapalhada que ficava com o serviço se avolumando cada vez mais. De manhã, quando papai se levantava para fazer o café, ainda havia vasilhas no fogão para serem lavadas. O pai ficava confuso, p...

COISAS DA JUVENTUDE

Ele não estava na sala quando cheguei, onde sempre o encontro nas tardes de sexta-feira. O neto me disse com voz ‘aguada’: “O vô tá no quarto, professor ! Voô! Vooooô!”. Chamava o avô, caminhando a passos bambos e seguido por mim até ele.   No quarto abafado, sobre uma cama-box sem lençol, estava o velho. Sem camisa, o suor escorria sobre seu dorso, que brilhava. O quarto pequeno, sem móveis, parecia amplo, enorme até. Na parede, uma foto de seu casamento, e na soleira do vitrô, um anjo. Não havia guarda-roupa porque as roupas, sendo-lhe escassas, cabem todas na gaveta da cama. Pedi um pano para lhe enxugar o rosto, mas o rapaz não sabia onde tinha pano. “Mãe, onde tem pano?”, gritou. “Pegue um papel mesmo”, pedi. “Aqui, o papel e o pano... Toma! Se precisar de mais coisa é só falar!” Saiu. Segundos depois, voltou: “Se precisar, é só chamar... Taaá, professor ?”   Deitado no colchão, o homem estava inquieto, abrindo e fechando os olhos, num sono perturbado. Tinha diarreia e sua bermuda...