ARMISTÍCIO - PRIMEIRA PARTE
No começo de uma tarde desta estação, com muito sol e calor como não convém a um inverno que se preze, cheguei para atender a um convite com jeito de convocação. Ele estava em seu gabinete, e, avisado de minha chegada, veio logo ao meu encontro. Pareceu-me sombrio, mas aquela expressão nublada desanuviara-se um pouco com um sorriso embaçado. “Então, o senhor é o professor Filipe. Qual é o problema, professor?” “Sou o Filipe, não costumo me apresentar como professor. Como sabe disso?” “Amparo é desse tamaninho!”, fez um sinal com indicador e polegar para mostrar quão pequena é nossa cidade. A pureza de suas mãos decerto santificaram aquele gesto, que, feito numa roda de adolescentes, teria significado desprovido de quaisquer virtudes. Na tentativa de arejar o pé da prosa, provoquei: “O senhor está bravo comigo?” “Oh, não, eu nunca fico bravo com ninguém... Como poderia ficar bravo com você?... Mas, primeiramente, queria saber. Você é católico?” – perguntou, passando levemente a mão...