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Mostrando postagens de outubro, 2014

CONFUSÃO MENTAL

O tempo passa e eu não tenho o que pôr neste blog. Sei que isso é uma bobagem e não faz sentido ficar preocupado com banalidades, mas um amigo já perguntou sobre o “menu” de hoje. Enquanto grupos radicais islâmicos esfolam curdos e xiitas no Iraque, sequestram centenas de meninas na Nigéria e crucificam cristãos na Síria, eu fico aqui torrando os neurônios, tentando o ofício de cronista que jamais sou ou serei. Ainda: o ebola, a Peste Negra deste milênio, se alastra na África e semeia pânico pelo mundo, mas eu continuo bobamente olhando para o teclado, preocupado em buscar a quadratura do círculo. Eu deveria me despedir desses poucos que me acompanham, deixá-los em paz e me afastar para sempre daqui, mas parece que ando interessado na atenção deles. Uma carência tola, sem sentido, pois não há a certeza de se estar acompanhado num espaço como este, que, pela sua natureza, apela para a solidão. Fosse noutro tempo, eu não precisaria tergiversar, pois havia no computador meia dúzia de ingl...

O ADEUS DE LILICO

Pulblicado originalmente no blogdofilipemoura.com em 14/12/2012   Já não se encontra embaixo desta mesa o cãozinho que aqui se aninhara por um bom tempo durante minhas longas “jornadas datilográficas”. Ele, que me acompanhava nas leituras, orações ou nas minhas solitárias e infrutíferas reflexões diárias, deixou-me com uma página em branco. Aconchegando-se sempre sobre o tapete e repousando carinhosamente a cabeça sobre os meus pés feito travesseiro, dormia. Acordando, fingia impaciência ao mordiscar meus dedos, mas também me afagava com sua morna e molhada língua. Caso eu demorasse no recinto, levantava-se e começava a latir como se dissesse que a vida é um tédio; que é preciso dar uma volta para espairecer; e que ver a rua e mexer com a “meninada” lá fora é uma necessidade premente, inadiável. O “menino”, de pelagem cor de mel, já retratado aqui em crônica intitulada “Fim do dia com Totó”, era um “moleque” travesso. Irrequieto, corria pra lá e pra cá enquanto eu tentava alcançá-lo co...

O QUE PENSAS?

Caso tu queiras me acompanhar nestas linhas, já vou avisando: o assunto de hoje é inglório. Falarei de política e sem floreios poéticos. Portanto, não te aborreces, raro leitor. Vai para o “feice”, aquela avenida iluminada, e me deixa só, na escuridão deste beco.   De uns tempos para cá, preocupam-me os (maus) ventos que sopram na política nacional. Tenho lido vários depoimentos que servem de reflexão para os mais jovens – ou gente antiga com algum problema de memória. São de pessoas que, contando suas experiências, defendem apaixonadamente o atual governo devido aos avanços sociais nesta última década, mas que estão temerosas. Eu não chego a tanto, pois sou propenso a criticar governos: seja este, os anteriores ou futuros – fruto de meu modo ranzinza de enxergar as coisas. Mania de velho.   Os ventos, porém, prenunciam tempestades que ameaçam vir inexoravelmente. O PSDB, que tenta suceder a coligação capitaneada pelo PT, não é um paladino da democracia nem da decência administrativa. ...

FIM DO DIA COM TOTÓ

Publicado originalmente em 25/11/2011, no blogdofilipemoura.com   É domingo e a noite chega. Modorrenta, como fora a tarde, a manhã, o dia todo. Ao meu lado, descansa o Totó (seu nome é Lilico, mas atende por Lico). No rádio, um programinha muito raso, ralo mesmo. O locutor entrevista um músico de nome... Nem sei. Não consigo acompanhá-los. Parecem-me meio pernósticos – para usar uma expressão chique. Ou metidos a besta – não sendo chique mesmo. Mas já terminou. O Lico continua ali, ao lado. Agora, está cuidando de uma das patas. Mordisca, mordisca e depois lambe. Fica entretido nesse ofício de manicuro por minutos, até horas. De vez em quando, para e me olha como se perguntasse: “E aí, já acabou?” – “Não, Lico, não acabei e nem sei se vou acabar”, respondo-lhe em pensamento. Gosto da companhia deste cãozinho. Não sei o que pensa de mim. Aliás, nem sei se ele pensa, mas, aqui neste rancho, ele me conforta com sua presença leve, macia e ofegante. Na “vitrola”, um réquiem de Mozart me a...

ARMISTÍCIO - ÚLTIMA PARTE

“ continuação ”    A entrevista fluía num movimento pendular: tensão e descontração alternavam-se simetricamente. À afirmação de que ‘governa com mão de ferro’, replicou: “Ah, tá brincando. Sinto que o povo gosta de mim, até porque sou democrático nas decisões”.  Mas voltou a reclamar dos ‘ataques’ no jornal. “Mas esta já é a quarta publicação contra a pinga, e ninguém foi ao jornal para me contestar. Nem esse pessoal que ‘gosta muito do senhor’. Por quê?” “Ah, já me falaram sobre isso. Disseram: ‘não liga não, esse cara é tonto’ (risos). Pode até ser, mas você está escandalizando e São Paulo nos adverte contra isso”. “Mas quem escandaliza mais: o meu texto ou a torre de chope defronte à catedral?” “Empata!” “?!”   A conversa, antes dura, depois macia, começou a escorrer, tomando rumos prosaicos. Passou pela minha barba – que parecia mais preta, quando vista à distância, lá no fundo da igreja. ‘Aquela ovelha rebelde, que fica de butuca no que o celebrante fala para depois escrever’. “V...