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Mostrando postagens de setembro, 2023

VILAS BOAS?

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Você, que não mora nessa vila, não sabe que casa é essa. Eu também não saberia, caso alguém me mostrasse a foto da forma que eu a apresento aqui. E eu nem teria motivo para publicá-la, porque essa casa não teve grande destaque na minha vida, embora ela esteja presente nas minhas memórias afetivas desde a mais remota infância.   Mais de meio século atrás, a casa da foto era uma ‘vendinha’ do senhor Nésio – esse o apelido do homem que provavelmente se chamava Onésimo. Eu gostava de entrar naquela venda, que não tinha muita coisa além de lápis, borracha, balas, chicletes, cereais e outras mercadorias das quais não tenho sequer um fiapo de lembrança. Certa vez, entrei com minha irmã mais velha para comprar um único chiclete, que fora salomonicamente dividido ao meio por nós. Todavia, o assunto aqui não é a ‘casa de venda do Nésio’, embora ela faça parte da paisagem desta crônica, nem ‘gomas de mascar’. Mas quero falar de minha terra natal.   Iniciando a partir da ponte sobre o riacho que d...

O IRMÃOZINHO SEXAGENÁRIO

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Ele está completando sessenta anos neste sete de setembro! Não, não dá pra acreditar. Ainda o vejo menino, as bochechas gordinhas e rosadas, e as peraltices em casa e na escola onde ganhou o apelido de Cachorro Zangado após morder um colega briguento. Também arrastou pela infância a injusta fama de “ rudo ”, que para nós significava “aquele que não aprende”. Preocupado com isso, papai comprou para ele um remédio, de nome ‘memoriol’, para “torná-lo inteligente”. Eu me lembro do sabor daqueles comprimidões , que experimentei furtivamente.   Não bastasse a pecha de ‘ rudo’ , esse mano conviveu com a dolorida e ainda mais injusta fama de ‘preguiçoso’. Sobre essa suposta indisposição para o trabalho, aprontei uma da qual ele nunca esqueceu. Certa vez, estando nós dois na cozinha do avô Sebastião, decidi fazer uma provocação e disse: “Vovô, este seu neto diz que, quando crescer, vai ser fazendeiro!” A observação do meu avô veio na medida certa de meu maligno deleite: “Só se for um fazendeiro...