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Mostrando postagens de dezembro, 2016

INTROSPECÇÃO

Estamos no natalino mês de dezembro, que já se vai com seu Natal que se tornou tão banal, quase fatal. Com seus abraços tão falsos!   Então é preciso abrir para balanço – e não fechar, como se fecham os armazéns para arranjos contábeis. É preciso avaliar o ano que finda, num improvável retrospecto.   O ano foi duro, pouco frutuoso. Se não houve tantos frutos, houve flores e folhas e raízes, que adentram o solo pouco fértil de uma pedregosa existência.   Neste ano, houve tropeços nas relações. E rupturas. Mas novos vínculos suturam velhas chagas.   A vida costuma ser um deserto sem oásis nem bordas. Vagando-se nessas areias, perdemo-nos em miragens – o enganador efeito óptico da luz que se refrata e confunde.    As relações humanas, familiares ou não, têm muito desse deserto e de suas miragens. Tem a aridez da areia movediça, que traga, que naufraga.   Quantas máscaras... Por que mascarar-se?... Melhor mostrar a pele ferida, impiedosamente maculada, mas nua.   Contudo, é imperioso pôr a...

FREIZINHO

Ligeiramente atrasado, cheguei às cinco e quarenta da manhã à simpática cidade paranaense de Ponta Grossa, mas ele já me esperava na rodoviária. Não o vi de imediato, pois eu estava meio zonzo após tantas horas no “porão” daquele ônibus e minha coluna gemia devido ao desconforto da “segunda classe”.   O reencontro foi caloroso, como convém a velhos amigos que se reveem. Entramos no carro, passamos num posto para abastecer e comprar erva-mate – uma “Bitumirim” desbotada, mas saborosa. “Esta é o povão que usa”, disse-me um alegroso e todo prosa Freizinho.   Entramos no convento quando se celebrava a primeira missa. Paramos diante da capela, toda decorada para o Natal e fiquei embevecido com tanta beleza. O chão coberto de feno compunha um autêntico estábulo. As cadeiras e as paredes revestidas de papel pardo davam a impressão de se estar numa gruta formada por um vasto rochedo. E ainda os frades com seus batinões cinza... Aquele cenário me fez retroceder mil anos e me vi em plena Idade ...