A GUERRA E OS BOÇAIS
Nos anos oitenta, quando eu terminava o segundo grau (hoje ensino médio), havia um colega de sala que costumava usar um apetrecho com a suástica. Como eu já não tinha proximidade com aquele rapaz, o seu gesto acabou piorando as coisas, gerando certa antipatia em nós. Fato é que eu não entendia por que aquele moço, moreno e de traços nordestinos, pudesse ostentar um símbolo nazista – algo no mínimo contraditório. Bocudo que sempre fui, talvez eu tenha mofado dele sobre essa bestagem, embora eu não me lembre de ter feito isso. Certo dia, porém, um professor perguntou a ele o porquê daquela insígnia e teve como resposta que seria um gesto em prol da causa palestina. Como eu não sabia nada sobre o movimento palestino, aquela informação, que me chegou de forma enviesada, foi de pouca serventia e não melhorou a imagem que eu tinha do jovem rebelde. Aqui, abro parênteses para a causa judaica. Parte de meus estudos foi realizada durante a ditadura militar e, não se sabe por quê, naquele temp...