SOB FLECHAS
Ao final de cada ano letivo tenho o mau costume de pedir aos alunos que avaliem meu trabalho. Pego uma folha sulfite e a divido em oito partes iguais, dando um pedaço de papel a cada aluno. Num lado, peço que escreva sobre este professor; no outro, sobre o próprio aluno. Sugiro que fiquem à vontade para espinafrar o professor, e que o façam anonimamente. Obedientes, pelo menos nesse momento, os alunos não perdem tempo. Após isso, peço a um deles que recolha os papeizinhos, que separo por classe de forma que eu fique sabendo o que pensa de mim determinada turma, mas não o aluno. Para mim não é tarefa das mais prazerosas ler as impressões de meus alunos sobre meu trabalho, porque alguns deles, inclementes, dão-me impiedosas flechadas. Já aconteceu de tudo. Houve um tempo em que eu usava chicletes para mitigar minha ansiedade. E na avaliação, um deles escreveu: “Parece uma vaca velha mascando!” Velho, embora, já não me chamam mais de ‘vaca velha’, porque parei de usar chicletes. Também ...