MDEMORIAL DE VIAGEM - PRIMEIRA PARTE

Esse relato foi enviado a alguns contatos no ‘zap’. Para não cansá-los, o texto foi dividido em alguns capítulos e enviado em dias bastante espaçados. Contudo, optei por fazer pequenas modificações a fim de torná-lo mais adequado ao público deste blog que, embora não seja grande, é desconhecido e de tamanho indefinido.

 

1) Numa segunda-feira à tardinha, chego à rodoviária do Tietê, em São Paulo, e vou ao toalete. A torneira fecha automaticamente antes mesmo que eu termine de lavar as mãos. Insisto, apertando novamente um treco e a torneira teima em fechar novamente me impedindo de lavar sequer as pontas dos dedos. Desisto. Saio do sanitário e termino o asseio com álcool, que sempre tenho na mochila.

Em seguida, vou a um quiosque e compro um suco de abacaxi com gelo e sem açúcar. Procuro um banco mais isolado e pego meu lanche: um pão com carne e queijo, que fiz em casa antes de sair. Sempre faço assim, porque nos quiosques da rodoviária qualquer “pão com nada” custa a metade de um fígado humano.

2) Meu ônibus encosta, passo pelo funcionário e procuro a poltrona 13, que estava vazia, mas não disponível. No chão, duas bolsas enormes ocupavam o espaço onde eu descansaria os pés, impedindo-me de tomar assento. Olhei para os lados e não vi ninguém que pudesse tirá-las dali. Decidi eu mesmo removê-las e me aninhei no canto. Nisso chegou a dona das bolsas. Ela me olhou espantada e eu retribuí o olhar com ares não muito amorosos. Perguntei se ela não queria que eu pusesse uma das bolsas no bagageiro – numa tentativa de apaziguamento. “Minha bolsa não fecha!”, ela disse quase gritando. Deixei a mulher com suas bolsas que não fecham de lado e tentei cochilar, mas essa vizinha estava impossível. Ela começou a conversar com seus irmãos de igreja, depois abriu um áudio de ‘onze minutos’ (conforme o pastor mesmo disse) e, em volume bem alto, começou a pregação. Achei a coisa tão medonhamente inusitada, que gravei uma parte daquilo.

3) Espremido entre as bolsas da mulher, segui viagem sem ao menos poder me esticar mais confortavelmente. Por fim, a pregação do pastor acabou, as conversas com os irmãos de igreja também, mas a lanterna do celular e o mexe-mexe da vizinha nas suas bolsas me aturdiam. E assim, já bastante moído, cheguei a Visconde do Rio Branco, que ainda não seria meu destino final.
(continua...)

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