MATEMÁTICA E CIDADANIA

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“Odeio matemática!”

Não, eu não odeio matemática. Pelo contrário, sou para ela afeto, respeito e admiração. Sem a matemática eu seria um jovem-velho aborrecido com a vida e com as pessoas. A matemática me ajuda a ser feliz.

Mas essa minha verdade está longe de ser uma verdade universal. O que ouço sobre a ‘Rainha das Ciências’ não é nada lisonjeiro. Por vezes ela é temida, muitas vezes evitada e até mesmo odiada.  

A foto que abre esta crônica foi um flagrante da última aula que dei a um sobrinho. Ele também diz não gostar de matemática, mas desconfio de que a matemática goste tanto dele quanto de mim, de você e até daquele seu vizinho chato.

A ‘matemática básica’ é aquela que usamos no dia a dia, que é uma ‘coisa muito fofa’ e está ao alcance de todos. Qualquer pessoa que foi decentemente alfabetizada consegue aprender matemática elementar. Caso isso não aconteça, tenho duas explicações não necessariamente excludentes: desinteresse do aluno, despreparo do professor ou ambos.

Na lousa acima está um simples exercício de porcentagem que fora passado ao meu sobrinho. Na apostila dele a sugestão é de que o cálculo seja feito por multiplicação de frações. Ora, fração já costuma assustar a metade da humanidade... Agora, misturar porcentagem com frações não me parece uma boa estratégia para alcançar a paz com os números. Se você não tem familiaridade com as frações, deixe-as de lado por enquanto, porque há percursos sem necessidade de tropeçar nelas.

Os antigos lavradores que conheci na minha infância faziam cálculos bastante complexos envolvendo porcentagem e até juros, tudo isso “de cabeça”. Aqueles caboclos de antanho, que nunca pisaram numa sala de aula, vendiam e compravam, pagavam e recebiam (à vista “com desconto” ou a prazo com juros) sem calculadora nem sequer lápis e papel. Alguns até sabiam medir terras. Usando estaca graduada e cordas, eles calculavam áreas de sítios e até de pequenas fazendas. Incrível, não?...

Uma observação: as aspas acima sinalizam que ‘desconto para pagamento à vista’ é uma falácia.

Há que se universalizar o ensino da ‘matemática básica’, porque essa é acessível a todos nós. Já a matemática avançada requer talento matemático, que pouca gente tem. Eu, particularmente, fiz graduação na área e nunca fui matemático. Sabe por quê? Porque eu não sou bom em exatas. Com aquela “senhora” eu até tenho uma boa convivência, mas às vezes, como em toda relação, há um ‘problema para ser resolvido’. Aí eu fico preocupado, nervoso e passo muito tempo tentando ao menos entender o assunto. Enfim, resolvido ou não aquele “problema”, voltamos pacificados à agridoce rotina.

Encerro com uma pequena observação. Quem não domina rudimentos da matemática será dominado por uma ampla ‘fração’ de comerciantes, chefes, patrões e políticos – alguns deles muito cruéis. Cuidado, porque ‘matemática é cidadania’!

FILIPE

Comentários

  1. Eu gosto de matemática, sou capaz até de sentir prazer em fazer uma prova de quatro horas, extremamente cansativa, coisa de louco. Mas, me aborrece demais ver premiação para alunos que fazem prova com algum tipo desonesto de auxílio da a.i., atingindo nota máxima na maior cara de pau. Enquanto que outros alunos se esforçam para compreende-la e fazem a prova honestamente. Isso é para odiar a Rainha das Ciências, não por culpa dela, é claro.

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  2. O que dizer?
    Não a amo, mas também não a odeio.
    Matemática básica, sim, é essencial.
    Caso contrário não saberemos nem contar nossa idade... que com o passar do tempo as contas aumentam... Em todos os sentidos!

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  3. Então vamos aprender matemática... A longevidade é exigente.

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  4. Premiações, por si só, já são excludentes, destoando da 'educação', que tem natureza inclusiva. Agora, premiar a fraude?... Sem palavras!

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  5. Gostaria que você discorresse sobre a falácia do "desconto de pagamento a vista". É uma armadilha pra muita gente. Muitos pobres são explorados por vendedores e espertalhões desonestos que se enriquecem às custas dos pobres.

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  6. Preciso tentar algo que não seja tão maçante e que seja esclarecedor. Posso pensar num texto sobre isso.
    Obrigado pela sugestão.

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