UMA SUGESTÃO DE PENA PARA GOLPISTAS

Todos os dias, ao abrir o noticiário no notebook, tropeço nas ‘novas’ do golpe. Sinceramente, sempre que posso, evito lê-las. Isso porque uma tristeza profunda me abate, e, como disse o Poetinha, “é melhor ser alegre do que triste”. Não, não quero tristeza, mas a alegria possível.
No entanto, como ser alegre diante do grotesco?... Aqui não vou citar um nome sequer, não por precaução, mas por uma questão de higiene mesmo. Preciso estar atento à necessária assepsia do corpo, da alma e também das palavras.
Generais liderados por um (pasmem!) capitão planejaram jogar o país numa lama de sangue, e isso só não aconteceu porque a maldade exige, além da covardia, um pouco de inteligência. O primeiro requisito é abundante; o segundo escasseia.
Agora, após a descoberta da trama, o que fazer com os trastes? A constituição prevê pena de morte para desertores em caso de guerra. É importante ressaltar que numa guerra a ‘pena capital’ não alcançaria oficiais das armas, mas civis ou soldadinhos. Caso um cidadão não se apresente ou debande, tal pena seria imposta a ele por um tribunal militar composto por... oficiais-generais! Isso é fato.
E para militares golpistas que podem a qualquer momento fazer o país mergulhar numa “guerra civil”? Aqui pus aspas porque, numa guerra, o pressuposto é que haja dois lados armados em conflito. No nosso caso, as armas estão de um lado só – com os extremistas; no outro lado estão os trabalhadores. Seria então um massacre perpetrado por desalmados contra desarmados. Uma carnificina. A história é repleta de fatos assim: o exército e demais forças policiais esmagam movimentos sociais numa batalha desigual. Algo semelhante à Intifada, quando palestinos ousam resistir com pedras às metralhadoras dos soldados israelenses. Por acaso isso é guerra?!
Agora quero deixar a minha sugestão para quem comete crime militar, mas me atenho àqueles que colocam em risco a democracia. Que todos esses vermes amotinados sejam destituídos de seus cargos, que sejam expulsos da corporação, que tenham seus bens expropriados e que sejam condenados a viver com ‘um salário mínimo’. Sim, um salário mínimo e nada mais do que isso.
A pena é cruel? Claro que não. Segundo dados do IBGE, 60% dos brasileiros vivem com ‘até um salário mínimo por mês’. Até! Isso significa que uma parcela vive com menos ou com nada. Eu mesmo, nos meus “verdes anos”, tive que me virar com um salário mínimo, que naquele tempo era bem inferior ao atual. E olha que não cometi crime algum. Nunca atentei contra a vida nem a dignidade das pessoas, muito menos conspirei contra os poderes constituídos.
Ah, como gostaria de que todos os criminosos, militares ou não, fossem condenados à “pena perpétua” de viver com apenas um salário mínimo!...
PS: A ilustração que abre a crônica foi ‘furtada’ da coluna do Antônio Prata. Espero que eu não seja condenado por esse ‘crime’.
FILIPE
Gostei da pena!
ResponderExcluirFoi um juiz muito indulgente!
Mas, que triste a realidade de tantos pagarem a pena de terem que sobreviver com tão mísero salário sem nunca cometerem delito, e aqueles que deveriam ser exemplares cuspirem no prato dos pobres da Pátria e às suas custas, com tantos crimes, viverem com gordos "honorários"!
Isso nos remete à parábola bíblica do "rico e o pobre".
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