CORA CINQUENTENÁRIA
Essa é a Maria Coraciana, minha
irmã e afilhada que está completando ‘cinquenta anos de vida’. Acho que ninguém
da família sabe que sou padrinho dessa menina, talvez até ela já tenha
esquecido. Também, pudera. Uma afilhada que nunca ganhou presente, nem sequer
no aniversário... Dizer o que de padrinhos assim?... ’Nunca’ pode ser exagero de minha parte,
porque certa vez dei a ela uma caneca de louça, embora isso não seja “aquele
presente”, já é alguma coisa, né?... Ou não. Da canequinha eu me lembro bem,
embora ela diga que já ganhou um estojo de maquiagem, mas não tenho lembrança.
O nome da minha irmã deve ser
único no mundo. Nunca se ouviu dizer que alguém traga “Coraciana” em seus
documentos – nome que acho muito bonito. No entanto, talvez não fosse assim, caso
minha irmã mais velha (sempre ela!) não interviesse, participando ativamente da
escolha. Isso por que, dos treze filhos do casal, doze papai nomeou
“monocraticamente” – exceto a nossa aniversariante – e essa é uma história
bastante inusitada.
No meu povoado havia uma senhora
que era uma espécie de guru daqueles caboclos. Mais do que guru, aquela senhora
era um verdadeiro oráculo, porque sem as bênçãos dela, nada se movia naquelas
paragens. Todos na redondeza procuravam a “matriarca “ para pedir conselhos,
licenças, permissões ou orientações. Quando a nossa bebezinha nasceu, papai, que
estava entre os aconselhados e orientados daquela vidente, ouviu dela o
seguinte: “O nome da menina será Maria Coraçana!”
Papai chegou em casa com essa
novidade, mas ele não me parecia muito satisfeito – nem nós, os mais velhos. Contrafeita,
a irmã mais velha foi assertiva: “Mas papai, esse nome é muito feio!” Papai
olhou meio assustado pra pirralhinha, mas desanuviou o rosto e disse: “Não,
filha, ela disse Coraçana porque, sendo uma mulher de “pouca leitura”, não
conhece bem as palavras. Pois vou pôr “Maria Coraciana”, e assim fica bem mais
bonito.” “Ah, então tá bom”, comemorou sem muito entusiasmo a exigente e protetora
Mana Velha.
E a Maria Coraciana crescia. Discreta,
sempre foi uma menina de muito sorriso e poucas palavras, o que lhe confere certo
charme e algum temor. Alguém já balbuciou: “Mas aquela sua irmã parece brava, hein?...”
“Que nada. Só não aborrecê-la!”, adverti. Pois bem, melhor não incomodar a
menina e voltemos ao passado.
Chegou o dia do Batismo da
Coraciana. Àquela altura eu, um pré-adolescente, ansiava ser adulto, e uma
forma de alguém se sentir mais velho é ter compadre. E não há compadre sem que
haja de permeio um afilhado. Então eu precisava arrumar um afilhado. Que tal
ser padrinho da irmãzinha?... pensei. Perguntei ao meu pai quem seria o
padrinho de Consagração (perdão, afilhada, mas não sei o que é ‘consagração’).
Papai disse que seria a Mariazinha, uma vizinha. Pedi para ser o padrinho,
porque no meu entendimento, se tem madrinha tem de ter padrinho. Papai assentiu.
Radiante, entrei na igreja ‘menino’ e saí de lá ‘senhor’, porque depois daquele
momento eu já me vi adulto, agora um homem de respeito.
Naquela mesma cerimônia, também houve
a consagração do irmão da Mariazinha, do qual fui padrinho, e passei a ter dois
afilhados, tendo um compadre de verdade. Mas essa é outra história e fica para uma
próxima.
Hoje celebramos os ‘cinquenta
anos’ da bebezinha Coraciana, que se tornou menina, que se tornou moça, que se
tornou mãe, que se tornou avó, mas permanece menina-moça em todos os aspectos:
bela, formosa e "frondosa" – tal como na imagem que abre esta crônica.
FILIPE

Parabéns, menininha! Sorte, saúde sucessos sempre e que Deus a abençoe permanentemente ❤️🎂🙏🏽❣️
ResponderExcluirParabéns prima, felicidades e muitos anos de vida, saúde e proteção 😘💐🎂
ExcluirParabéns pra você minha amiga muitos anos de vida e saúde
ResponderExcluirQuerida prima, Coraciana!
ResponderExcluirDeus te abençoe, hoje em especial, seu aniversário!
Parabéns! Felicidades!
Carinhoso abraço e minhas orações!
Merecidamente a crônica, tal como o nome e a beleza da maninha caçula.
ResponderExcluirTudo que o Felipe escreveu, eu assino em baixo.
ResponderExcluirQue Deus lhe conceda muitos anos de vida e saude Coraciana
ResponderExcluir"CORACIANA": só no pronunciar esse nome a gente sente doçura, ternura, acolhimento e paz! Papai teve que lutar para o nome prevalecer mais outra vez. Nós começamos a chamá-la de "Fia", uma forma carinhosa em Minas para chamar de "filha" alguma criança bem nova. Papai protestou logo: "eu coloco o nome nos meus filhos é para que sejam assim chamados; acho tão feio uma pessoa ser conhecida por seu apelido". E assim se fez!
ResponderExcluirQue linda homenagem para a sua irmãzinha! Os nossos sentimentos não envelhecem mesmo. É muito prazeroso ler estes "causos", me sinto parte deles por alguns minutos. Que sabedoria do seu pai em remediar o nome, que ficou muito bonito. Desejo muitas felicidades para a sua afilhada Coraciana.
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