O TERCEIRO* ENCONTRO E UMA DESPEDIDA

Quando meu pai partiu, logo no dia seguinte ao sepultamento, o primogênito reuniu a irmandade para alguns encaminhamentos. Naquela ocasião, sugeri que fizéssemos um encontro anual e assim ficou acertado. E então, aquele pequeno e breve encontro dos Moura Lima marcou o início de um evento que se repete a cada ano. Após a primeira reunião, que se deu em abril de 2022, veio a segunda em abril do ano passado; a terceira aconteceu nos dois primeiros dias de junho deste ano – festivo, com uma comida bem mineira, muita conversa, sonoras risadas, doces e bolo. Ah, e teve até parabéns para o bolo!
Os onze estivemos reunidos por várias horas na noite do sábado; após o almoço no domingo, alguns já buscaram o caminho de casa e se mandaram, mas continuei por ali até o meio da semana.
Dois dias após nosso convescote, uma querida prima, muito considerada por nós e que estava gravemente enferma, partiu. Então, encerro aqui o assunto dos Moura Lima e passo para a Marilza, essa menina tão doce, tão meiga e que nos deixou tão cedo.
Por quase dois anos acompanhei o sofrimento dessa prima e de seus familiares. A Marilza era uma mulher singular: honesta, generosa, simples, humilde, fervorosa e otimista. Quem a visitava saía de lá com o espírito elevado.
Foi numa tarde ensolarada, após uma sesta, que um áudio no WhatsApp me trouxe o passamento da prima. Minha irmã, que costumava acompanhá-la nas idas e vindas do hospital, deu a notícia. Abaixo, segue um pequeno relato do que vi e vivi naquele anoitecer. Isso foi partilhado com alguns de minha família, mas será registrado neste blog de memórias.
Ainda na tarde daquele dia, fomos até a casa da Marilza e encontramos lá o esposo e o filho; pouco depois chegaria da escola a filha – uma menina-moça, mais menina do que moça. Ali era tudo devastação, solidão, um sofrimento indizível. Minha irmã e uma tia, que era comadre da minha prima, também estavam presentes e os ajudavam a organizar as coisas. Porém, alguém teria que dar a notícia aos pais da Marilza, e elas foram até a casa deles. Eu continuei por ali sem saber o que fazer, totalmente perdido, tentando encontrar um caminho.
Daí, tive uma feliz inspiração. Como todos estavam sem condições para resolver as coisas, decidi agir. Pedi permissão para assumir a difícil tarefa de cuidar da burocracia com translado, funerária etc. Mas, antes de sair para Visconde do Rio Branco, uma cidade vizinha, aproveitei que eles estavam na varanda da sala, e os convidei para uma pequena prece. Antes, porém, afirmei que o papai amparou a mamãe após a partida dele. E assim será com eles também: a Marilza cuidaria de cada um.
Eu disse: “A Marilza queria muito cuidar de todos vocês, mas estava doente e não conseguia; agora ela tem força para fazer o que tanto desejava. Podem confiar na intercessão dela, porque assim se deu com a minha mãe, que foi assistida e socorrida pelo meu pai.”
Após essa minha intervenção, fizemos uma pequena prece. Ao fim, embora ainda estivessem emocionados, todos me pareceram um pouco animados.
Mais tarde, quando retornei da cidade, o clima naquela casa era bem outro e o pessoal estava completamente refeito. A minha conclusão: a Marilza se fez presente ali! Isso eu posso atestar porque, embora minha fé seja diminuta, numa coisa eu acredito: “quem faz o bem, recebe o bem e continua fazendo o bem no além!”
(*) Esse foi o ‘segundo encontro’ programado, mas o terceiro realizado.
FILIPE
Marilza foi uma pessoa que passou por esse mundo como um anjo de Deus. Uma pessoa de luz. Iluminou os caminhos dos seus pais Ilza e Pedrinho, dos seus dois filhos Larissa e Wesley e do seu esposo, Jumar. Também de muitas outras pessoas.
ResponderExcluirSua doença e consequentes dolorosos sofrimentos são um sinal de que não conhecemos os desígnios de Deus. Só mesmo a fé num Deus que não abandona o justo na morte pode ajudar a acolher os sofrimentos e a morte da Marilza.
Marilza, prima e afilhada, o Senhor a acolheu no seu colo de luz e de glória. Você já não sofre mais. Reze aí por nós.
Felipe, mais uma vez sua participação na passagem dos nossos: papai, mamãe, Marilza. Providencial! Valeu!
Quem diria que o nosso encontro de irmãos Moura Lima estava sendo preparado para nos encontrarmos com nossa Priminha enferma pela última vez! A maioria de nós pode fazer uma visita rápida e, como bem expressa o Mano, mais fomos confortados que confortamos.
ResponderExcluirUma coisa fica clara: como vale a pena viver bem; a morte não tem rosto bonito, mas a face fica iluminada na pessoa que encerra sua vida no Amor.
Obrigado, Mano!
Pelo escrito e pelos preciosos préstimos naquele momento de tanta aflição de nossos familiares!
Viva a Marilsa!
A Marilza, o papai, a mamãe e outros me deixam menos temeroso da "indesejada das gentes".
ResponderExcluirObrigado, bom mano, pela nobre participação neste humilde blog.
A Marilza nos deixou um belo exemplo de como encarar o sofrimento e enfrentar a morte, e sem perder a fé!
ResponderExcluirObrigado, mano bom, pela nobre participação neste humilde blog.
Paz e bem!
ResponderExcluirMano, uma vez um Padre me disse que nós Franciscanos, deveríamos ser especialistas em ajudar as pessoas a bem morrer. Isso porque Francisco de Assis chamava indesejada de irmã e morreu cantando os louvores de Deus.
Acho que todos nós precisamos ser, em alguma medida, franciscanos como vocês.
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