AO DOM CIPOLLINI

NOTA: Este texto foi enviado para o jornal "A Tribuna" de Amparo, edição de hoje.


 


Prezado Dom Pedro Carlos Cipollini, em diversas ocasiões ocupei este espaço para lhe fazer


cobranças, mas nunca para ressaltar os seus muitos acertos à frente da diocese de Amparo. E


por outras tantas, dirigi-me ao senhor através de e-mails, às vezes hostis, confesso. Mas no seu


silêncio, com certeza, rezava por mim e pelo seu ministério.


 


Certa feita, o senhor me convidou para uma conversa. Fui àquele encontro como quem


caminha para o “sinédrio”, devo admitir. Aquela não poderia ser uma prosa de compadres.


Estávamos em trincheiras opostas e a artilharia prometia ser pesada. Chegando à Cúria, um


amável pastor recebeu sua “cabeçuda” ovelha – conforme se referiu a mim em tom amistoso –


e conversamos por um tempo relativamente longo, a julgar pelos inúmeros compromissos de


um bispo diocesano. Naquela oportunidade, pude me inteirar dos grandes problemas


existentes num episcopado, alguns praticamente insolúveis.


 


Dentre minhas tantas implicâncias com o senhor, uma era sobre a venda de bebidas alcoólicas


nas quermesses. Na ânsia de ver esse problema resolvido, eu apelava para que se decretasse o


banimento do nefasto comércio de “pinga” em todos os festejos de nossa diocese. Mas não


me dei conta de que a Igreja é Comunidade. Para melhorar a Igreja, é preciso transformar a


Comunidade, e isso não se faz via decreto episcopal. Cada um de nós é responsável pela


mudança que queremos, e esse desejo há de ser plural ou não se transforma, jamais.


Saí daquele encontro tomado de embevecimento, amado bispo. Vi, diante de mim, não um


prelado que ocupa um alto posto na burocracia da Igreja Católica, mas um santo pastor. Um


homem que reconhece seus limites e tenta acertar. A partir daquele dia, nunca mais lhe


mandei e-mails desairosos e muito menos publiquei algo neste semanário que lhe pudesse ser


ofensivo.


 


A vida do senhor tem passado por mudanças profundas. Recentemente, foi eleito para um


importante cargo junto à CNBB. Agora, transferido de Amparo, já toma posse na Diocese de


Santo André – uma das mais importantes do país em números de fiéis, além de ter uma bela


história em defesa da democracia nos inglórios tempos da ditadura militar. A sua


responsabilidade, que já era grande, agigantou-se. Nesta nova seara, espero que o senhor


continue exortando o clero a adotar em suas práticas a pouco lembrada Doutrina Social da


Igreja. Porque a nossa Igreja não pode fazer concessões aos poderosos, que vivem às custas do


suor e das lágrimas dos empobrecidos, mas precisa caminhar com o povo, para que o Reino


cresça e floresça para todos.


 


Dom Pedro Carlos, tenha certeza de que, seguindo os passos do Papa Francisco e à luz do


Evangelho, todos os seus esforços serão plenos de êxito. E para tanto, pode contar minhas


preces.


 


OBS:: Minha conversa com D. Pedro foi contemplada em postagem intitulada “Armistício”,


publicada neste blog.


 


FILIPE

Comentários

  1. Filipe,
    suas palavras revelam não somente mudanças na vida de Dom Pedro Carlos, mas também na sua própria vida. A melhor coisa que pode acontecer conosco é nossa abertura para novas possibilidades. É assim que crescemos a ajudamos o outro a crescer. É o caminha da paz e da harmonia no nosso interior e ao nosso redor.

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  2. Renato Pires de Godoy31 de julho de 2015 às 23:45

    Vi Dom Cipollini somente uma vez, em uma breve passagem pela Catedral Diocesana. Fiquei admirado com sua linguagem simples e com a serenidade que irradiava de seu semblante. A Diocese de Santo André ganhou com certeza um santo pastor.

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